Jogadores do Cianorte, líder isolado do Estadual, praticam treino físico| Foto: Divulgação

"Quero atleta, não boleiro", diz treinador

Aos 50 anos, o técnico Bagé já rodou 30 clubes, mas seu nome ainda não é badalado. O ex-lateral direito encerrou a carreira de jogador aos 28 anos, no Internacional por causa de uma artrose no joelho, porém, é bem conhecido do Leão do Vale.

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O Cianorte contradiz quem afirma que só times com grandes investimentos e patrocinadores conseguem chegar na frente. Com uma dos orçamentos mais modestos do Paranaense, é o líder da competição, com 80% de aproveitamento em cinco jogos.

As quatro vitórias não surpreendem técnico e dirigentes do Leão do Vale, apesar de marcarem o melhor início de Estadual do time criado em 2002. Arrancar bem já estava nos planos da equipe. Isso mesmo com um investimento mensal de R$ 150 mil e salários na faixa dos R$ 4 mil para cada um dos 30 jogadores do grupo.

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Outros times do interior, com investimentos maiores, ainda não conseguiram um retorno tão imediato. É o caso do adversário do Cianorte de amanhã, o Rio Branco, que tem um orçamento na faixa dos R$ 180 mil, mas amarga a décima posição, com apenas uma vitória em cinco jogos e um rendimento de 27%.

"Estamos felizes com o desempenho. Mas não deslumbrados. Sabemos que o que fizemos até aqui não é suficiente para continuar na frente", diz o gerente de futebol Adir Kist, que foi goleiro do clube em um de seus momentos mais célebres: a vitória por 3 a 0 sobre o Corinthians de Carlitos Teves, pela Copa do Brasil de 2005 (na segunda partida, o Cia­­norte foi eliminado da competição pela goleada de 5 a 1 que sofreu do Timão).

Dois são os fatores atribuídos para o sucesso no início do Es­­ta­­dual: a montagem de uma equipe coesa, que treina junta desde o final de novembro e o apoio do comércio local. O time tem 56 apoiadores e patrocinadores – entre empresas de confecção, concessionárias de automóveis, agências de turismo, lavanderia e escola – que garantem entre 20% e 30% da renda do time.

A parcela pode parecer pequena, mas é essencial para pagamento do hotel em que atletas e comissão técnica se hospedam na cidade do Vale do Ivaí e para os pagamentos de salários e premiações em dia.

"A escolha do treinador também foi essencial. O Bagé é um técnico que arranca o máximo dos jogadores, gosta de trabalhar os detalhe, organiza o time muito bem. Auxiliou muito na montagem da equipe, trouxe atletas que já conhecia e mesclou com nossos jogadores das categorias de base", ressalta Kist.

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Até aqui o Cianorte destacou-se pela boa preparação física dos atletas e maior velocidade – re­­sultado atribuído à preparação física em regime de concentração, com direito a departamento de fisiologia, algo ainda incomum nos clubes menores –, mas agora enfrenta times que já entraram no ritmo de competição.

Para não deixar o desempenho cair, o time vai contar com os três atletas que ainda não estrearam – o atacante Marquinhos, o meia Matheus e o volante Ser­­ginho – e com a vontade de todo o elenco em almejar mais na competição. O mínimo é a conquista do título de Campeão do Interior.

"Acredito em jogador que joga pelo prato de comida, que tem interesse em crescer. Sei que todos estão em busca de mais. Temos trabalhado sempre com os pés no chão, sem salto alto pelos primeiros bons resultados", afirma Bagé.