
A opção do Atlético pela autogestão da obra da Arena da Baixada, com a contratação de várias empresas, ao invés da associação a uma grande empreiteira, se reflete na coleção de títulos protestados da CAP S/A. Constam contra a sociedade de propósito específico criada para cuidar da reforma do estádio, nos seis tabelionatos de protesto de Curitiba, 353 títulos. Um montante de R$ 11.625.930,24 cobrado por 83 credores diferentes. Os dados são de 16 de setembro de 2014.
O maior credor é a Adelco Sistemas de Energia Ltda. Com sede em Barueri (SP), a empresa fabrica equipamentos para tratamento, condicionamento e conversão de energia em corrente alternada e corrente contínua.
São quatro títulos que somam R$ 1.760.548.
O segundo maior credor é a Harman do Brasil Indústria Eletrônica e Participações Ltda. A empresa forneceu as caixas de som do estádio por meio da JBL, uma das suas seis marcas, e agora cobra o não pagamento de nove duplicatas, no valor total de R$ 1.638.953.
Apesar da dificuldade para receber, a companhia é citada pelo site oficial do Atlético em uma matéria de sexta-feira passada, como proprietária de assentos no setor VIP da Baixada para ações de relacionamento com seus clientes.
Responsável pelas estruturas metálicas da cobertura, a Brafer Construções Metálicas S/A cobra o Atlético tanto por meio de títulos protestados como de ações cíveis. São nove títulos no valor total de R$ 1.599.119. A CAP S/A também é ré em quatro ações cíveis movidas pela Brafer. Dois processos estão em fase de execução, de R$ 2,7 milhões e R$ 33 mil, respectivamente. Os outros dois estão em monitoria, estágio em que a Justiça avalia a veracidade dos valores cobrados.
A última cobrança na casa do milhão é da Mills Estruturas e Serviços de Engenharia Ltda. São quatro títulos protestados, no valor de R$ 1.086.678.
A empresa ainda move três ações cíveis contra a gestora da obra. Uma em fase de execução; outra em fase declaratória (quando a Justiça declara um direito do autor) e a terceira em reconvenção (quando o réu move uma ação contra o autor dentro da própria ação).
Todas as outras empresas mesmo aquelas com mais de um título a receber cobram valores inferiores a R$ 1 milhão. É o caso da Philips do Brasil Ltda, responsável pelo projeto de iluminação. São sete títulos no total de R$ 689.618,10.
Do bolo de títulos pulverizados entre os outros 78 fornecedores e prestadores de serviço, alguns chamam atenção pelo volume de protestos ou pelo baixo valor. A Votorantim Cimentos Ltda. cobra 142 duplicatas de venda mercantil, em um total R$ 475.381,10. Outras 35 empresas tentam receber somas inferiores a R$ 10 mil.
A contratação de inúmeros prestadores e fornecedores para pequenos serviços é efeito colateral da autogestão da obra. A decisão de não se associar a uma grande empreiteira foi tomada para aumentar o faturamento do clube.
O Palmeiras, que entregou a construção do seu estádio à W/Torre, terá apenas 20% da receita da Arena Palestra pelo período de 30 anos. O Furacão, por sua vez, cederia somente 12% das receitas à AEG, antiga parceira na administração da Baixada. Não há informação de como funciona o acordo com a G3 United.
Caso o Atlético, por meio da CAP S/A, não consiga pagar o valor cobrado pelos fornecedores, há três saídas possíveis. Os credores podem entrar com pedido de falência ou execução da gestora da obra e a própria CAP S/A pode entrar com pedido de recuperação judicial.
A Gazeta do Povo procurou os cinco maiores credores de títulos protestados, além do clube, principal acionista da CAP S/A. Mills e Harman disseram que não se pronunciarão. Brafer, Philips, Adelco e Atlético não retornaram até o fechamento desta edição.



