| Felipe Rosa/Tribuna do Paraná
| Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

O bom momento de Nikão no Atlético tem relação direta à acolhida na Baixada.

Sonho antigo de contratação do Rubro-Negro, o jogador contou com a recepção que precisava para superar o descrédito da carreira nômade. Foi, enfim ‘adotado’ em uma casa ‘própria’. Retribuiu com três gols em três jogos como titular e uma assistência para ajudar na campanha do líder do Brasileiro.

“O [Mario Celso] Petraglia conhece ele desde os 15 anos. O vice-presidente Marcio Lara e o Milton Mendes foram fundamentais. Todo mundo precisa estar bem para render. Mas, no caso do Nikão, é mais ainda. A vida dele foi muito sofrida, muitas perdas, mortes”, comentou empresário Wanilton César Silva, Cesinha, sobre o abandono do pai, a morte da mãe, da avó que o criou e de um irmão envolvido com a criminalidade. “Com 12 anos ele já estava ajudando em casa”, contou.

Cenário que Cesinha acredita ter mudado no CT do Caju. Com 11 anos, o mineiro demonstrava potencial na base do Mirassol-SP e foi para a Rússia, onde ganhou o apelido de Maradona Negro. Do CSKA Moscou, passou para o PSV Eindhoven, da Holanda, em 2005. No ano seguinte, rumou para o futebol da Arábia Saudita.

Com problemas de documentação, voltou ao Brasil para peregrinar nas divisões de formação de Palmeiras, Santos e Atlético-MG, onde assinou o primeiro contrato profissional.

Mas as trocas de clubes não deixaram de ser frequentes nem mesmo entre os profissionais. Entre 2011 e 2014, passou por seis clubes, começando por Vitória e terminando no Ceará.

A 15.ª chance na carreira é justamente em Curitiba. “Aí no Atlético ele foi bem recebido, mostraram confiança, deram tranquilidade para ele se recuperar. Essa relação, assim, meio de pai, ajudou muito, porque ele sente falta disso”, acrescentou o agente, que o descobriu nos campinhos de Montes Claros-MG, aos 8 anos e cuida dele como um filho.

Depois de colecionar boas arrancadas e derrocadas na mesma medida em vários clubes, o meia começou a escrever a história pelo avesso no Atlético.

“No Vitória, por exemplo, ele fez 10 gols em nove jogos e chegou a ser chamado de o Príncipe do Barradão. No final, ele foi mal. Foi assim na Ponte Preta, no Bahia... Bons começos e queda de rendimento depois. No Atlético, ele não chegou muito bem, o clube não o mandou para pré-temporada na Espanha. Ele ficou se recuperando e foi crescendo com a equipe. Acreditamos que agora teremos um belo final”, comparou Cesinha.

“O Atlético detém a maioria dos direitos econômicos dele. E quando se pertence a um clube, e não é só mais um jogador emprestado, é diferente, o atleta é visto de outra forma. É da casa”, emendou o empresário.

Cesinha liga quase todos os dias para Nikão e conta que só não se mudou desta vez para acompanhá-lo em Curitiba porque o atleta casou em fevereiro. O casal tem planos para ter um filho em breve e, finalmente, formar a família que Nikão nunca teve.

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