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Paranaense

Ministério Público diz que Atletiba de uma torcida "rasga Estatuto do Torcedor"

MP considera jogo de torcida única afronta uma à legislação, além de lamentável a uma cidade-sede da Copa 2014

  • Ciro Campos, especial para a Gazeta do Povo
Vista aérea da Vila Capanema, a nova casa do Atletiba |
Vista aérea da Vila Capanema, a nova casa do Atletiba
 
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Atlético e Coritiba se enfrentam, às 19h30, na Vila Capanema, em jogo decisivo, mas ao mesmo tempo marcado pela presença de torcida única – fato inédito na história do clássico.

A partida reúne os dois primeiros colocados do torneio com a possibilidade de definir antecipadamente o título do primeiro turno do Paranaense e a vaga para a final da competição.

Uma derrota do Cianorte para o Londrina – duelo das 22 horas – e uma vitória no clássico é o suficiente para o Furacão. Se a combinação for com um triunfo do Coxa, este só precisaria de um empate na última rodada.

Mas a importância técnica do confronto ficou em segundo plano diante da tática antiviolência: impedir a presença de alviverdes na arquibancada do Durival Britto – apenas atleticanos no estádio.

Após a diretoria do Atlético propor a ação, através do presidente Mario Celso Petraglia, veio o ok do Coritiba e, para fechar, argumentos favoráveis da Polícia Militar. O fato de o duelo ser em uma Quarta-Feira de Cinzas, logo depois do carnaval, dificultaria o trabalho dos agentes de segurança. O parecer positivo do Ministério Público (MP) fechou a questão – e também elevou a polêmica. Ontem o órgão emitiu um parecer revoltado com a decisão.

“Rasga-se o Estatuto do Tor­ce­­dor, diante da impossibilidade de o estado dar segurança aos torcedores”, diz o texto assinado pela promotora Stella Maria Burda. “É lamentável que situações como esta ocorram em um país, e o que é pior, em uma capital, que pretende, em breve, sediar (sic) jogos de futebol da Copa do Mundo”, também traz a mensagem do MP.

Especialistas em segurança pú­­blica ouvidos pela Gazeta do Povo consideram a atitude prejudicial.

“A medida acaba com o futebol. A participação da torcida compõe o jogo e é a parte mais legal da partida”, diz o coordenador do Grupo de Estudos de Futebol e Sociedade da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Luiz Carlos Ribeiro.

O coordenador do Núcleo de Estudos da Violência da UFPR, Pedro Bodê, considera a ideia lamentável. “Daqui a pouco vai ter jogos sem torcida no estádio e com pessoas sem sair de casa, em toque de recolher”, comenta.

“Não acho uma saída interessante. É uma medida simplória para um problema grave, que é a violência nos estádios, e contribui para que as torcidas combinem encontros para brigas pela internet”, afirma o antropólogo da Uni­­ver­­sidade do Estado do Rio de Ja­­neiro (Uerj) e especialista em estudos sobre futebol e violência, Rodrigo Monteiro.

Os treinadores dos dois times também não passaram alheios ao problema. Eles encaram de formas diferentes a novidade de ter torcida única.

“É importante que a torcida seja toda do Atlético porque para o jogador é um extra”, diz o técnico rubro-negro, Juan Ramon Car­­rasco. “A tradição do clássico permitiria duas torcidas, todo mundo ali vibrando com seu time, empurrando e apoiando, o que seria o ideal para um jogo como esse”, analisa o comandante do Coritiba, Marcelo Oliveira.

O Alviverde entra em campo para defender vários tabus. Ontem o Coritiba completou dois anos sem perder no Para­­naense, um total de 42 partidas de invencibilidade. A última derrota para o Atlético no Estadual foi em 2008.

Mesmo com todo esse currículo, o sentimento no Alto da Glória é de revanche pelo último encontro entre os dois, pelo Brasileirão do ano passado. A vitória do Furacão por 1 a 0 não livrou o time do rebaixamento, mas tirou as chances do rival de se classificar à Libertadores

“Precisamos fazer diferente. Este ano é uma nova história, uma situação diferente. Fica bem claro que naquele momento o Atlético tinha uma situação inferior a nossa, um rebaixamento, e mesmo assim ganhou o jogo. Então toda prudência, toda determinação e toda atenção no jogo nunca será demais”, fecha Oliveira.

Colaboraram Marcio Reinecken, Gustavo Ribeiro e Robson Martins.

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