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Comunicação

Cenário desafiador faz minguarem as transmissões esportivas nas rádios de Curitiba

Dificuldades financeiras, concorrência de outras mídias e mudança no comportamento do torcedor forçam emissoras a abandonar o futebol. Sobreviventes apostam em criatividade para resistir

Equipe de esportes da Rádio Banda B, AM 550, uma das sobreviventes do mercado de transmissão esportiva na capital paranaense. | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Equipe de esportes da Rádio Banda B, AM 550, uma das sobreviventes do mercado de transmissão esportiva na capital paranaense. (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)

O fim da equipe local da CBN Curitiba, em maio, acentuou o processo de drástica redução da cobertura esportiva das rádios na capital paranaense. Cenário que se repete Brasil afora. Crise econômica, pay-per-view, mudança geracional, dificuldade de atrair patrocínios. Muitos são os motivos apontados por profissionais para tentar explicar a crise na área esportiva.

“A conta não fechava no fim do mês”, resume Nelinton Rosenau, coordenador geral da Rádio Clube FM, que encerrou as transmissões esportivas em dezembro do ano passado, após oito anos. “Mas também foi uma mudança de público e a possibilidade de [o torcedor] assistir aos jogos no conforto de casa”, prossegue.

Além de CBN [que agora só retransmite a grade nacional] e Clube, 98 FM e Difusora encerraram as atividades no futebol. Outras, como Independência e Eldorado, não existem mais. A tradicional RB2 aposta em um caminho inovador, a parceria com o Atlético. A rádio cobre exclusivamente o dia a dia e jogos do Furacão, atuando também com o nome de Rádio CAP – ignora Coritiba e Paraná.

Em contrapartida, dois veículos alcançam 2016 na contramão deste processo, sendo os únicos a acompanhar Atlético, Coritiba e Paraná tanto na cobertura diária, como em viagens para todas as partidas: nas ondas AM, a Banda B; nas FM, a Transamérica.

“Nós, apaixonados pelo rádio, enxergamos com muita tristeza este processo de redução”, afirma Greyson Assunção, coordenador de esportes da Banda B. “É triste, mas a gente batalha diariamente, matando um leão por dia, para manter nosso padrão de cobertura. Além disso, tentamos sempre valorizar a história do rádio paranaense”, prossegue.

Sentimento de perda compartilhado por Rogério Afonso, diretor geral da Transamérica. “Além de a concorrência nos estimular a melhorar, isso gera um desemprego grande na área. E a informação para o ouvinte se perde. Outros meios não têm a agilidade que só o rádio possui”, analisa. “É uma luta. A gente tem um custo muito alto. Não é fácil. Mas com determinação e criatividade a gente consegue”, assegura.

Em comum, as concorrentes encontraram na criatividade e convergência com novas mídias o caminho para a modernização. Vídeos e informações em redes sociais e portais na internet contribuem para a audiência de ambas. “O rádio nunca vai morrer, mas é necessário que haja uma convergência com a internet”, opina Assunção. “O número de gente que nos ouve pela internet já é muito considerável. Além disso, até 2018 faremos a transição para a FM”, reforça.

“Fomos pioneiros em nossa forma de transmitir, com humor, música, sem narrar gol adversário. Apostamos, e deu certo”, conta Afonso. “Mas essa integração entre mídias fez com que o rádio tivesse imagem. Temos uma quantidade de acessos incrível no site e isso só melhorou nossa audiência”, complementa.

Na tentativa de se tornar uma terceira via, surge ainda a Globo AM, com equipe terceirizada comandada pelo Capitão Hidalgo. “Vamos crescer muito. Estamos contentes e de pouco em pouco vamos subindo”, promete Hidalgo.

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