O paranaense Cuca precisa reverter mais uma vez uma larga desvantagem na Libertadores: desta vez vale o título inédito| Foto: Atlético Mineiro/Divulgação

Sem os laterais titulares, Galo tenta façanha

O Atlético-MG não terá os dois laterais titulares, Marcos Rocha e Richarlyson, ambos suspensos. Na direita, Cuca faz mistério, mas Michel é o mais cotado. Na esquerda, a entrada de Junior César é certa. Na frente, Bernard volta de suspensão e é a esperança atleticana para desmontar a defesa paraguaia ao lado de Ronaldinho Gaúcho, que foi muito mal no primeiro jogo da decisão, semana passada, quando os paraguaios venceram por 2 a 0. O poder de fogo de Diego Tardelli e Jô, artilheiros do time na Libertadores com seis gols cada, também será necessário. O time mineiro tem de ganhar por três gols de vantagem para ser campeão. Diferença de dois tentos leva para os pênaltis. A única vez que tamanha vantagem foi revertida ocorreu em 1989. O Atlético Nacional, da Colômbia, viveu a mesma situação contra o Olimpia e levou o troféu nas penalidades.

Agência Estado

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Em busca da principal conquista da carreira, hoje à noite, diante do Olimpia, pela Libertadores, Cuca ostenta outro título há tempos. O comandante do Atlético-MG é conhecido como o técnico mais supersticioso do Brasil. Característica tão evidente que chega a ofuscar os bons trabalhos que o curitibano tem realizado à beira do gramado.

Já são tantas e tão extravagantes as histórias sobre o treinador que se tornou difícil distinguir os fatos das lendas. Cuca jamais negou a fama, construída desde os tempos de atleta, mas já cansou de se explicar.

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O estilo recheado de manias tem origem na religiosidade dos Stival. "Nossa família é muito católica. E tem muita coisa do nosso pai [Dirceu, falecido há 15 anos]. Ele sempre nos ensinou a rezar antes de dormir, de joelhos, algo que o Cuca mantém até hoje", revela Any Keli Stival, irmã do ex-jogador.

O atleticano está sempre acompanhado de imagens, terços, medalhas e amuletos. Em todos os vestiários que frequenta, trata de providenciar um altar, com destaque para Nossa Senhora Aparecida, de quem é devoto fervoroso. A partir da religião, Cuca começou a incorporar as superstições, crendices, tique-nervoso, uma mistura disso tudo.

A mais célebre é sobre a proibição, expressa, de o ônibus que carrega a delegação do clube engatar a marcha ré. "Já presenciei isso. Se o ônibus não conseguia entrar direito no estádio, ele pedia para os jogadores descerem e irem a pé até o vestiário", recorda Reginaldo Nascimento, ex-volante do Coritiba, que trabalhou com Cuca em 2005 no Alto da Glória. Outra lembrança de Nascimento é uma mania que o treinador herdou do pai. "Ele não para de pentear a sobrancelha, impressionante. Passa um cuspe na mão e ajeita os fios o tempo todo", diz.

O paranaense também tem sempre um uniforme ou camisa da sorte – utilizados em todas as partidas até sofrer um revés com aquela vestimenta. "Não há nada que o faça mudar de camisa", recorda Amilton Stival, assessor da secretaria de Curitiba da Copa do Mundo e diretor licenciado da Federação Paranaense de Futebol (FPF). Os dois trabalharam juntos no Paraná, em 2003, e apesar do mesmo sobrenome, famoso em Santa Felicidade, são parentes distantes.

Pisar o gramado com o pé direito é outro ritual de Cuca. Um dos mais recentes é o de "adotar bolas". Normalmente, carrega uma debaixo do braço para as entrevistas coletivas após os treinamentos. É para manter o contato próximo com a esfera adquirido na época como boleiro, alega.

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Para outra companheira inseparável, há uma motivação bem especial. Trata-se da bola espalmada pelo goleiro Victor, no último minuto do jogo com o Tijuana-MEX, defesa que valeu a passagem para a semifinal da Libertadores. Nos dois embates com o Newell’s Old Boys e o encontro inicial com o Olimpia a pelota "sagrada" virou convidada de honra do elenco alvinegro.

Cuca jura que nada disso o prejudica, mas há quem discorde. "Ele é um treinador excelente e por isso está próximo de ser campeão da Libertadores. Mas também é uma pessoa muito tensa, concentrada, que encarna nos jogadores por isso", comenta Giovani Gionédis, presidente do Coxa em 2005.

Amigos próximos do curi­­tibano têm a mesma impressão. Dias atrás, Carlinhos Neves, outro curitibano, preparador físico do Atlético-MG, confidenciou a Reginaldo Nascimento que Cuca está melhorando. "Ele é muito desconfiado de tudo. Sempre acha que alguma coisa pode estar prejudicando. É um ótimo comandante, só precisa relaxar", complementa o ex-alviverde.