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Patrimônio

Sucateada, sede da Kennedy é motivo de frustração e incerteza para sócios e funcionários do Paraná

Associados reclamam que clube não oferece os serviços prometidos no local. Área está prestes a ser vendida

Vista aérea da sede paranista na Avenida Presidente Kennedy mostra as piscinas, dois campos de futebol e dois ginásios. | 041 Drone
Vista aérea da sede paranista na Avenida Presidente Kennedy mostra as piscinas, dois campos de futebol e dois ginásios. (Foto: 041 Drone)

Se nos últimos anos a sede social da Kennedy vinha sobrevivendo com muita dificuldade, a aprovação da venda do local pelo Conselho Deliberativo do Paraná, no último dia 30 de outubro, praticamente sepultou de vez as atividades cotidianas do deficitário imóvel situado na Vila Guaíra.

Pior para funcionários e os raros associados que ainda frequentam as instalações. Os primeiros alegam que não foram avisados pela diretoria sobre o prazo para o possível encerramento dos vínculos empregatícios ou pagamento dos salários atrasados, que assolam praticamente todos os trabalhadores do local.

“A informação que nos foi repassada por terceiros é de que, assim que a nova diretoria assumir [em dezembro], todos nós teremos de buscar nossos direitos na Justiça do Trabalho”, conta um funcionário que há mais de 15 anos trabalha no clube. Com medo de sofrer retaliações, ele prefere não ser identificado.

A diretoria paranista, por sua vez, afirma ser prematuro notificar os funcionários enquanto as negociações de venda não avançam. “É normal que haja esta insegurança, mas pedimos para que eles mantenham a tranquilidade. No momento certo chamaremos todos para conversar”, garante o presidente Luiz Carlos Casagrande, o Casinha.

Já para os associados que continuam honrando em dia os valores das mensalidades impera o sentimento de frustração. Há tempos o clube já não oferece os serviços prometidos. Funcionário público aposentado, Victor Alberto Cademartori, de 65 anos, fazia aulas de natação no local há mais de seis anos, mas foi obrigado a parar.

“Tem mais de dois meses que não temos aulas. A gente paga por um serviço que o clube não entrega. Se é para ficar assim, que fechem a sede de uma vez”, desabafa.

Já a vigilante Raquel Ferreira Anderson, de 39 anos, pensava em se tornar sócia, mas, desistiu da ideia. A filha de Raquel, Isabel Ferreira Anderson, de 9 anos, treina na escolinha de vôlei, mas reclama que, no mês de outubro, não teve aulas. Com salários atrasados, os professores estavam em greve. “A gente vinha até o clube, mas só perdia o dinheiro das passagens de ônibus”, relata a aluna.

Outras atividades, como o futsal, seguem funcionando, mas com ressalvas. “Estamos efetuando matrículas para a modalidade, mas não sabemos até quando a atividade vai continuar”, informou a secretaria do clube, após ser indagada sobre a possibilidade de inscrição na atividade.

Para o engenheiro civil Ireneu Novak, que utiliza a academia do clube, a qualidade dos serviços oferecidos na Kennedy é baixa. “A gente paga caro na mensalidade e a qualidade deixa a desejar. O departamento jurídico ainda não tem garantias de que o imóvel pode ser vendido”, destaca.

Um dia após a confirmação de que o imóvel estava à venda, o Paraná entrou em contato com a prefeitura para saber se a sede poderia de fato ser vendida. Isto porque a matrícula do imóvel foi gravada com as cláusulas de inalienabilidade e impenhorabilidade, ou seja, não poderia ser vendida ou penhorada na época da doação do terreno para o Esporte Clube Água Verde, um dos embriões do Paraná.

Por causa das más condições estruturais, as piscinas cobertas foram interditadas por agentes da Vigilância Sanitária na última quinta-feira (19). Além disso, por causa de atrasos no pagamento das contas, desde agosto o clube enfrenta o corte do suprimento de gás.O ginásio de esportes, por sua vez, foi penhorado pela Justiça para quitar uma dívida com o ex-treinador Ricardo Pinto, que passou pelo clube em 2011.

As fotos da sede da Kennedy foram cortesia da empresa 041 Drone

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