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Escândalo

Halterofilistas paraolímpicos ampliam onda de doping no esporte brasileiro

Nos últimos 20 dias foram revelados 11 casos de uso de substâncias proibidas no país. Pesistas foram suspensos preventivamente

Onze casos em apenas 20 dias. O Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) confirmou ontem o flagrante de dois atletas por uso doping e engrossou a recente estatística de testes positivos no esporte nacional. Os halterofilistas paraolímpicos Denílson Raimundo de Souza e Emerson Júnior Barbosa tiveram resultados positivos em exames antidoping e estão suspensos preventivamente.

"É uma triste coincidência. Já estávamos lamentando o que havia acontecido no atletismo e agora surgem esses dois casos. É lamentável, mas também um alerta no início do ciclo olímpico de Londres-2012 de que devemos intensificar os esforços nos programas de combate e orientação", afirmou à Gazeta do Povo o presidente do CPB, Andrew Parsons.

Denílson foi flagrado no exame realizado no dia 20 de junho, em Natal, que apontou a presença de Hidroclorotiazida, um diurético. Ele alega que a substância compõe um remédio usado para hipertensão. Emerson teve resultado positivo para Oxandrolona, um anabolizante, no antidoping feito em 16 de maio, em São Paulo.

Os atletas têm dez dias para se manifestar e o julgamento do caso de ser realizado em um mês. A ocorrência eleva para cinco o nú­­mero de flagrantes entre atletas paraolímpicos, quatro só no halterofilismo com Marcelo Mota (em 2007) e José Ricardo Silva (em 2007). O primeiro caso envolveu o mesa-tenista Carlo Michel pelo uso de maconha, em 2003.

"É um número razoavelmente baixo no geral, mas preocupante no caso do halterofilismo. Talvez pelo aumento no número de participantes. Pode ser também, aí já uma especulação minha, pela tênue linha entre o que é permitido e proibido diante de tantas substâncias usadas para melhorar a força na modalidade", acrescentou Parsons.

Com o episódio, o Brasil piora o recorde de doping em série em menos de um mês. O primeiro caso foi de Hamilton de Castilho Magalhães Silva, do arremesso de peso, suspenso em 24 de julho devido à presença de 3'-Hidrosystanozolol, esteroide do mesmo tipo usado por Ben Johnson na Olimpíada de Seul, em 1988.

Depois Lucimar Teodoro, dos 400 m com barreiras, foi suspensa preventivamente pelo uso de Femproporex. Lucimar integra a equipe Rede de atletismo, onde explodiu o maior escândalo do país com o flagrante de Josiane da Silva Tito (4x400 m), Luciana França (400 m com barreiras), Jorge Célio da Rocha Sena (200 m e 4x100 m), Bruno Lins Tenório de Barros (200 m e 4x100 m) e Lucimara Silvestre da Silva (Heptatlo) pelo uso do hormônio EPO. Também da Rede, es­­tão suspensos preventivamente Evelyn Carolina Oliveira Santos e Rodrigo Bargas.

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