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Em entrevista na sua em­­presa, em Araucária, Aquilino Romani fez uma avaliação dos problemas ocorridos no ano, destacando que, mesmo com as dificuldades, houve queda no déficit tricolor. O dirigente falou sobre as revelações das categorias de base e destacou que não quer continuar no cargo se for para atrasar salários. ?Não sou picareta.?

O Paraná começou bem a Série B. Depois caiu. O que ocorreu?

A gente tinha a promessa de vir recursos ? fato que não ocorreu. E alertamos. Fomos líder antes da Copa, mas tivemos de viajar para buscar um pouco de dinheiro. Além disso, nós atrasamos salários e então começamos a cair. Mas é importante colocar que em nenhum momento corremos risco de ir para Terceira. O nosso time sempre foi superior a pelo menos dez rivais.

O senhor falou em dinheiro que não veio e viagem para buscar verbas, pode especificar?

Nós fomos fazer dois amistosos no Rio Grande do Sul para buscar pouca coisa de dinheiro. Rendeu pouco, insignificante para o que precisávamos. Já a promessa de recursos [feita antes das eleições] foi de um grupo de empresários que viria ajudar, mas depois ficou só um deles ajudando. Mesmo assim, neste ano fechamos só com R$ 1,5 milhão de déficit contra R$ 6 milhões nos dois anos anteriores. Sem dívida com ninguém. A única foi com o atraso de salários.

Pelo que foi acordado e o que ocorreu, o senhor se sente traído?

Quem seria o presidente era o Aramis [Tissot]. Ele, vendo a situação do clube, não quis. Então me chamaram. E eu acabei indo até contra vontade da família. O que me pareceu é que muita gente do outro grupo queria que fosse o Aramis e achou que ele, de alguma forma, traiu o grupo. Eu não acho assim, pois não sou de lado nenhum, meu lado é o Paraná. Mas administrar dor de cotovelo e ciumeira de homem é a pior coisa que existe. E o grande mal do Paraná nesses últimos anos foi trabalhar com esses problemas internos.

Esse foi o grande problema?

Muita gente que veio com vontade de ajudar, não ajudou. E nós não subimos por R$ 2,5 milhões. Mas isso passou, o que lamento é não ter conseguido fazer mais e ter usado muito meu nome à frente de tudo.

Qual o próximo passo a ser dado na sua administração?

Profissionalizar o clube. É isso que vamos fazer em 2011.

Historicamente o Paraná revela bem e vende mal. Como fazer vender melhor os atletas estando com a corda no pescoço?

Você pode trazer um bom profissional para coordenar o futebol que, por exemplo, traga patrocínio, abra as portas do Clube dos 13, da CBF... É uma questão de custo-benefício. Você investe, mas tem desgaste menor, a presidência tem mais tempo para mexer em outras coisas. Em 2011 vamos trabalhar com uma folha mais enxuta. E estamos montando uma equipe comercial e de marketing exatamente para buscar esse recursos necessários para fazer a profissionalização do clube.

E como vender melhor os atletas?

Na história do Paraná temos aí dez nomes de meninos que saíram do clube e que realmente vendemos mal. Mas pode ter certeza que vamos mudar. Claro que com a corda no pescoço é mais difícil. Isso é um dos pontos-chave na profissionalização. O problema é que passamos esses últimos dois anos sem revelar praticamente ninguém.

Com a profissionalização, quem será o homem forte do futebol?

Vamos trazer uma pessoa. Um profissional de mercado. Tenho dois ou três nomes já.

Existe alguém com esses atributos disposto a trabalhar no Paraná?

Tem. O mundo da bola é imenso. A marca do Paraná é muito grande e tem muita gente querendo trabalhar aqui. A imagem manchou um pouco, pois sempre pagamos em dia e nesses últimos dois anos... Mas vamos mudar isso.

Falando em categorias de base: a parceira do clube com dirigentes, surtiu o efeito esperado?

Nós tínhamos uma estrutura muito ruim no Boqueirão. Tínhamos a área abandonada em Quatro Barras. E tínhamos dois paranistas dispostos a investir. O pessoal questiona, mas tem de ver que, daqui a noves anos, é tudo do Paraná. É um investimento que era necessário. Hoje temos bons profissionais lá, e pode ter certeza de que vamos ter bons valores no Paranaense.

Essa é a grande aposta para o elenco de 2011?

É. Mas temos também um treinador que tem bom trânsito com Cruzeiro, Santos e outros times. Esses times têm vários atletas e vão liberar alguns para o Paraná. Estamos trabalhando com jogadores a custo quase zero e temos de fazer a mescla de garotos com bons atletas. Vamos fazer um time mais barato, mas não menos competitivo.

Por que o Kelvin não foi alçado antes ao profissional?

Há dois anos sabemos que o Kelvin é craque. Mas todos sabem dos problemas da Lei Pelé. Então seguramos o Kelvin para fazer um contrato mais longo com ele. O que aconteceu foi um erro, pois passaram por cima de mim e trouxeram o menino antes da hora. Temos interesse que o Kelvin fique bastante tempo no Paraná, mas se o mercado pagar o que nós achamos justo, negociamos.

Qual é o valor justo?

Não sei. Existe tudo que é tipo de proposta. Tivemos proposta de 12 milhões de euros, mas não é oficial. Estamos trabalhando em várias possibilidades. Pode ser que vendamos uma parte dele para outro clube, para valorizá-lo.

Pelo senhor o Kelvin não teria jogado a Série B?

Eu queria fazer um contrato longo. Depois acabamos fazendo o contrato, mas não como queríamos. O dele é de um ano e meio, mas podíamos conseguir mais um ano. Foi uma falta de comunicação.

Qual a origem da crise do Paraná?

O grande pecado do Paraná foi cair para a Segunda Divisão. Nós tínhamos verba de R$ 500 mil e caiu para R$ 80 mil. Daí o Aurival assumiu e vendeu o Pimpão, o Giuliano, que deram sustentação. Teve o dinheiro do grupo de investimento, do qual fiz parte. Foi criticado, mas foi tão bom para o clube. O grupo de investimento deixou esse dinheiro para o Paraná para ser ressarcido quando o clube voltasse à Primeira Divisão. Não aconteceu e, quando chegou na metade do segundo ano, o dinheiro acabou. E vieram muitas contratações... Aí ficou todo esse problema quando assumimos...

O quanto compromete o fato de pessoas estarem colocando dinheiro do próprio bolso no clube? Depois elas terão de ser pagas...

Quando se busca dinheiro para apagar incêndio, claro que compromete. Mas como disse antes, acabamos com déficit bem menor do que os dois anos anteriores. Em 2011, vamos por um caminho diferente e queremos chegar ao final do ano na Primeira Divisão.

Antes da entrevista, o senhor disse que usou seu nome como pessoa física e isso não é bom...

Eu disse que a imprensa usou meu nome... Meu nome foi jogado sempre, colocando-me a responsabilida de [da situação do clube]. E é ruim no mercado, pois sou um cara correto. Não sou picareta, ou o que falaram por aí, que dei calote. Gostaria que quem falou isso sentasse atrás da mesa e fosse em bancos para buscar dinheiro. Que haja mais respeito a partir de agora.

Presidente Paraná

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