Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Boxe

Mulher, lutadora, histórica

Pugilista Adriana Araújo perde na semifinal, mas garante o bronze e o centésimo pódio brasileiro em Olimpíadas

 | Daniel Castellano, enviado especial / Gazeta do Povo
(Foto: Daniel Castellano, enviado especial / Gazeta do Povo)

A baiana Adriana Araújo, 30 anos, já havia entrado para a história olímpica do Brasil por ter sido a primeira brasileira a vencer um combate do boxe nos Jogos Olímpicos (a modalidade só estreou nesta edição). Mas não parou por aí.

Ontem, ela rompeu com o período de 44 anos de espe­­ra por uma nova medalha do país nos ringues. A última – e até então única –tinha sido com Servílio de Oliveira (peso mosca, até 51 kg), em 1968, no México.

Mesmo não se classificando à final da categoria leve (até 60 kg), por ter perdido para a russa Sofya Ochigava por 17 a 11 na semifinal, calhou de Adriana ter mais uma vez seu nome marcado na competição. O bronze que a lutadora havia garantido segunda-feira na luta das quartas de final – no boxe não há decisão de terceiro lugar – foi a centésima medalha do Brasil em Jogos Olímpicos.

"É uma medalha histórica para o Brasil e para toda a América Latina. Ela abrirá caminho de muitas meninas para que pratiquem o esporte", confia Adriana, que em 2005 largou o futebol para se dedicar aos combates nos ringues.

A marca de cem medalhas representa um salto de conquistas do esporte brasileiro nos últimos 20 anos. Em Barcelona-1992, o país somava 39 medalhas ao longo de todas as participações até então. De lá para cá, o Brasil conquistou 62 pódios em cinco disputas, contando Londres-2012, que ainda não terminou.

A expectativa do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) é de que a delegação nacional feche a participação na capital britânica com o mesmo número de premia­ções de Pequim-2008, quando o Brasil conquistou 15 medalhas.

Até ontem, os atletas brasileiros haviam conquistado dez medalhas: duas de ouro, uma de prata e sete de bronze.

Sobre a derrota na semifinal, Adriana reconheceu a superioridade da russa no combate. Mas não deixou de questionar algumas marcações dos juízes.

"Técnica e taticamente es­­tava tudo dentro do que treinamos. Mas a Sofya não é uma atleta que está chegando agora. É atleta experiente, uma campeã mundial. Para mim foi bem, mas a gente não depende apenas da gente no ringue, depende também dos juízes", criticou, ao fim da luta.

Além das marcas que alcançou, Adriana está feliz pela expectativa de que, com a sua conquista, rompa-se o preconceito contra o boxe fe­­minino no Brasil. E espera que, junto com os bronzes dos irmãos Yamaguchi e Esquiva Falcão, que ainda lutarão as semifinais das categorias meio-pesado (até 81 kg) e médio (até 75 kg) e poderão transformá-las em prata ou ouro, a modalidade ganhe mais incentivo (leia mais nesta página).

"Com certeza, a partir de agora haverá ainda mais apoio e investimento nas no­­vas atletas. O brasileiro tem aptidão para o boxe e va­­mos brigar por mais medalhas nos Jogos do Rio em 2016 em várias outras categorias", confia.

Após o confronto, a baiana aproveitou para anunciar que a Olimpíada de Londres foi sua despedida do boxe amador. Quando retornar ao Brasil, Adriana pretende se profissionalizar.

"Sinto dizer que esta foi a minha última luta amado­­ra. Estou feliz com o que consegui, mas não vou estar no Rio em 2016 porque vou para o profissionalismo", declarou.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.