A skatista Jessica Florêncio, de 21 anos, participa pela terceira vez da competição| Foto: Christian Rizzi/ Gazeta do Povo

Agenda

Além do esperado rali, o domingo reserva a principal prova das mulheres no X Games. Leticia Bufoni é forte candidata ao ouro no skate street.

Skate Street (12 h)

Quatro brasileiras estão na luta pelo primeiro lugar na competição em que as skatistas enfrentam obstáculos de rua na pista. Corrimões e escadas são utilizados para a realização das manobras.

Rally Cross (13h30)

A poeira vai levantar, literalmente, na pista de terra montada em Foz do Iguaçu. Serão 15 concorrentes que vão lutar para realizar as voltas mais rápidas. Além das estrelas gringas, como Ken Block e Travis Pastrana, três brasileiros brigam pela vitória, entre eles Nelsinho Piquet e o curitibano Maurício Neves.

Skate Park (14 h)

A pista está em uma espécie de fundo de piscina repleto de ondulações. Aqui, a expectativa é grande por um ouro brasileiro, já que o catarinense Pedro Barros é o atual campeão da prova.

Moto X Freestyle (16h30)

Depois de um "treino" na última sexta, no freestyle jam, é hora de competir para valer. Os pilotos saltam várias vezes com a moto durante o percurso e vence quem mostrar mais habilidade nas manobras.

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Nos últimos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, as mulheres representaram cerca de 40% dos 11 mil atletas que estiveram na disputa. A delegação dos EUA, líder do quadro de medalhas, pela primeira vez foi composta por mais atletas do sexo feminino. Na "olimpíada" radical, no entanto, este panorama de fortalecimento das atletas ainda é discreto.

Dos cerca de 200 competidores convocados para participar do X Games Foz do Iguaçu, que encerra neste domingo (21), brigam por medalhas apenas 20 mulheres. Elas estão em duas das 16 competições programadas: ska­­te street (com obstáculos de rua) e motocross enduro.

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Em minoria e ainda sem os holofotes reservados às disputas dos marmanjos, elas têm a árdua missão de dar show nas pistas para levantar o público e poder lutar por mais espaço no maior evento mundial de esportes radicais.

"Dá para crescer mais dentro do X Games e isso tem de acontecer mesmo. As meninas que disputam o skate vertical, por exemplo, não têm competição aqui nos jogos. Tem muita gente boa que precisa mostrar o que sabe", diz a skatista Jessica Florêncio, de 21 anos, que participa de seu terceiro X Games. Hoje, ela e outras três brasileiras disputam a final do skate street. Além do quarteto, outras três garotas do motocross – que competiram na quinta-feira – formam a ala feminina do país nos jogos. "Estamos começando, devagar, a tomar um pedacinho do evento para nós também. Queremos que essa onda continue para que a gente possa se desenvolver", reforça a motociclista mineira Marcella Gonçalves.

Em Barcelona, um dos no­­vos locais do X Games nes­­te ano, haverá mais uma com­­petição feminina: o skate park. Além disso, no evento em maio, a Real Series – disputas on-line em que os atletas enviam vídeos e o pú­­blico escolhe o favorito – será voltada só para as mulheres.

A expansão global do X Ga­mes – que, a partir de 2013, passa a ter três novas edições anuais – é uma das grandes apostas das meninas que esperam por um efeito 'bola de neve': com mais competições, maior é a exposição delas. Isso deve incentivar mais mulheres a praticarem os esportes radicais e revelar mais atletas para a competição.

"Você já vê as garotas fazendo quase tudo nos esportes radicais. É preciso ter um incentivo para elas e as edições do X Games podem ajudar nisso", acredita a jovem Stefany Serrão, de 17 anos, que também competiu no motocross.

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A skatista Eliana Sosco, que está em seu segundo X Games, já está fazendo sua parte para "revelar talentos". Em Foz, ela carregou por todos os cantos a filha dela, Isabelle, de apenas 10 meses. "Vou ensinar todas as manobras para ela bem rápido", promete Eliana, com a esperança de ver, no futuro, a filha com as amigas em um X Games rendido às mulheres.