
O eixo Sudoeste, Oeste e Noroeste do Paraná concentra as principais equipes de futsal do estado. Os sete primeiros colocados da última Série Ouro vieram de cidades localizadas nessas regiões Umuarama, o atual bicampeão, seguido por Maringá, Pato Branco, Foz do Iguaçu, Marechal Cândido Rondon, Francisco Beltrão e Cascavel.
O resultado dentro da quadra não é por acaso. Ao contrário do que ocorre nas outras partes da federação (principalmente na capital), o investimento e a atenção para o tradicional esporte da bola pesada é maciço nesse lado do estado.
Os ginásios, sempre lotados, e o patrocínio das empresas do município e das prefeituras, sustentam orçamentos mensais entre R$ 40 e R$ 100 mil (nos bastidores, comenta-se que as mais "ricas" do Paraná atualmente sejam as equipes de Umuarama e de Marechal Rondon).
"Tivemos um campeonato muito bom em 2008. A média de público foi de 1.700 torcedores por rodada e a expectativa para esse ano é melhor ainda. Com a subida do Paraná, representando Curitiba, pela primeira vez teremos todas as grandes cidades do estado participando da elite", comemora Dias Lopes, presidente da Federação Paranaense de Futsal.
O sucesso da modalidade no interior fez, pela segunda temporada seguida, com que o Paraná fosse classificado pela Confederação Brasileira de Futsal como o vice-campeão do ranking da entidade o líder foi Santa Catarina.
"E para 2009 também teremos pela primeira vez três equipes na Liga Nacional (Umuarama, Cascavel e Marechal Rondon)", aponta Lopes, sinalizando a continuidade do investimento na modalidade, já que a vaga no torneio nacional tem de ser comprada de empresas de material esportivo.
Pelo interior, são várias as explicações para o sucesso do futsal. A teoria da ausência de clubes expressivos no futebol de campo é uma delas, mas está longe de convencer os dirigentes.
"O povo gosta de futebol de campo também, mas é no futsal que ele vê equipes vitoriosas. O futsal também tem uma exposição muito grande na imprensa, principalmente na televisão. Isso é retorno garantido para as empresas", compara Pedrinho Muffato, diretor da equipe de Cascavel.
A torcida, que lota os ginásios em quase todas as rodadas, parece já criar uma identificação própria com o futsal. "Sempre gostei. É um esporte mais dinâmico, não tem aquelas interrupções, a enrolação que tem no futebol de campo", diz Luiz Roberto Macanhão, agricultor de Cascavel.
A cobrança e a pressão por resultados é tamanha que a direção dos clubes nem cogita a possibilidade de diminuir os investimentos, sob o risco de cair subitamente na tabela de um ano para o outro.
"Se você montar um time de R$ 20 mil mensais é melhor nem montar. Cai em descrédito com a torcida. Empresários e prefeitura veem um grande retorno para a cidade no investimento", avalia Eliseu Berteli, vice-presidente da equipe de Pato Branco, terceira colocada do último Estadual, e que dispõe de R$ 42 mil mensais para manter o time.
Agora também com a capital representada, o próximo Paranaense começa em março com 16 equipes. Porém não há dúvidas de que a disputa pelo título vai se restringir ao eixo Sudoeste, Oeste e Noroeste do Paraná.



