
A torcida Os Fanáticos foi punida ontem pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) e não poderá frequentar estádios de futebol por seis meses. Na prática, porém, a ação não vai restringir a presença da organizada nos jogos do Atlético no ano que vem. "Se proibirem a torcida, se extinguirem a torcida, não dá nada. Sou sócio do clube, vou lá ficar no meu lugar e vou cantar para o meu time", assegura o ex-vereador Julião Sobota, que em janeiro reassumirá a presidência do grupo.
Até 10 de junho de 2014, a uniformizada não pode frequentar partidas com roupas, faixas e bandeiras com referência à facção. Nem mesmo a presença da bateria está autorizada. A multa em caso de descumprimento é de R$ 20 mil. Se a torcida causar algum distúrbio a partir de agora, pode ter a pena aumentada para três anos de ausência.
Ainda assim, o risco de outro incidente como o que ocorreu no duelo contra o Vasco, no último domingo, em Joinville, não diminui com a medida. No último Atletiba (6/10), uma briga com a organizada rival Ultras causou ao clube a perda de dois mandos de campo, fato que levou as duas últimas partidas no Brasileiro para Santa Catarina.
A rixa, entretanto, tende a esquentar a partir da reabertura do Joaquim Américo. Como ambos os grupos devem ocupar o setor denominado FAN, o mais barato do novo estádio, novos conflitos são prováveis. "Não temos convivência com aqueles caras", crava Sobota, que há dois anos ameaçou jogadores do Atlético de "tomarem sopa de canudinho" caso fossem encontrados na noite de Curitiba. Neste ano, ele estava entre os torcedores do Furacão armados de paus e pedras que "defenderam" a Arena da Baixada de protestos durante a Copa das Confederações, em junho.
Apesar do histórico negativo e de culpar a torcida do Vasco inclusive divulgando imagens do início da confusão que, segundo a facção, foi dado pelos cariocas e a ausência da PM pela barbárie em Joinville, a torcida Os Fanáticos vê "punição séria" como a única forma para evitar novas cenas lamentáveis.
"Se lá atrás o MP ou a polícia tivessem identificado os caras que incomodam há quase dez anos, eles não estariam no estádio dando prejuízo", diz Sobota.
Após briga em SC, ex-vereador fica sem cargo no governo
Angieli Maros
O ex-vereador de Curitiba Juliano Borghetti (PP), que admitiu ter participado da briga entre as torcidas de Atlético e Vasco em Joinville (SC), domingo, pediu demissão do cargo que ocupava no governo do Paraná. O pedido foi aceito pelo governador Beto Richa (PSDB). Ele é irmão da deputada federal Cida Borghetti e cunhado de Ricardo Barros, secretário estadual da Indústria e Comércio.
Inicialmente, o cargo de Borghetti foi dado como superintendente da EcoParaná, autarquia do Executivo estadual ligada à Secretaria do Esporte e Turismo. No entanto, a assessoria de imprensa do governo informou que ele exercia o cargo de superintendente da Paraná Projetos, a extinta EcoParaná. "Acabei de receber e aceitar pedido de demissão do Juliano Borghetti, superintendente da PR Projetos, vinculada à Secretaria de Planejamento", escreveu Richa em sua conta no Twitter.
No período em que esteve na Câmara Municipal de Curitiba, entre 2008 e 2012, Borghetti chegou a propor com outros parlamentares a lei municipal que obriga o cadastro de torcedores em estádios. A reportagem procurou por Borghetti, mas ele não foi encontrado.
Para o deputado federal Nelson Meurer, presidente do PP no Paraná, quem "cometeu erro tem de pagar".



