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Radical

Paraquedista busca ascensão na queda livre

Curitibano se destaca no perigoso base jump, saltos de penhascos, prédios e pontes. Riscos levam modalidade à clandestinidade

  • Ana Luzia Mikos
Marcelo Barros Wendt, o Kiko (de branco), salta do penhasco na ilha de Kakynthos, na Grécia, onde conquistou o quinto lugar no Mundial de base jump |
Marcelo Barros Wendt, o Kiko (de branco), salta do penhasco na ilha de Kakynthos, na Grécia, onde conquistou o quinto lugar no Mundial de base jump
 
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Paraquedista busca ascensão na queda livre

Quando saltar de paraquedas é tão emocionante quanto passear de bicicleta no parque, está na hora de aumentar a dose. Ou, no caso, diminuir: diminuir a altura do salto, o tamanho do paraquedas, dispensar o reserva e mergulhar no base jump.

Assista o salto de base jump

A versão mais radical – e perigosa – do paraquedismo resgatou a adrenalina perdida em 15 anos e mais de 6 mil saltos de avião do curitibano Marcelo Barros Wendt, o Kiko, de 36 anos.

Agora, seu desafio é se jogar de um dos obstáculos que formam o B.A.S.E, sigla em inglês para Buil­­ding, Antenna, Spam e Earth, ou, em português, prédio, antena, ponte e terra – esta mais conhecida como penhasco mesmo.

Com cerca de 10 mil praticantes no mundo, o instrutor de paraquedismo é o único base jumper em Curitiba, ao lado de Luiz Cláudio Marinho, o Kako, a se aventurar na sexta modalidade mais arriscada do planeta. Esporte com 0,82 morte para cada mil adeptos, de acordo com um ranking de 2010 da revista Superin­­teressante. Estatís­­tica suficiente para ser proibido em vários países. No Brasil, não há regulação a respeito.

Mas é tão perigosa a ponto de obrigar os participantes a treinos clandestinos, capazes de tornar a prática ainda mais temerária. “Eu não gosto de fazer isso, a gente pode ser confundido com um ladrão. Mas não tem outro jeito, porque pedimos autorização e não dão. Então, invadimos”, conta Kiko.

Ele não conta quais os prédios em Curitiba são usados nos saltos, uma estratégia para driblar uma fiscalização maior. Revela, porém, o desejo de saltar do CCI, no centro da capital. A investida já foi negada, mas ele não desistiu.

Até mesmo nos campeonatos, com tudo autorizado, antes de saltar cada participante grava um depoimento assumindo os riscos, no que todos torcem para não ser um vídeo de despedida.

O último filmado por Kiko foi antes do Mundial de Base Jump, disputado na Grécia, neste mês, e onde o Brasil despontou. Ele ficou em quinto lugar, entre 22 atletas de 13 países. O quarto e o sexto lugares também foram verde e amarelo, para Ruy Fernandes e Kedley Oliveti, respectivamente.

“O resultado surpreendeu e passaram a olhar o Brasil com outros olhos. Tivemos contato com a organização e a intenção é trazer uma etapa para o país e ajudar a promover o esporte”, planeja Kiko. “Organizar” o perigo passaria pela criação de uma associação, buscar apoio e regras.

“Hoje são cerca de 60 praticantes do Brasil. Conseguimos desenvolver bastante a modalidade nos últimos anos, mas ainda estamos quase uma década atrasados”, admite. Ele reconhece que a própria natureza do esporte atrapalha. “Muita gente nos chama de louco. Mas para praticar base jump você precisa estar muito preparado”, defende.

A bagagem vem do paraquedismo e também exige técnica e equipamentos específicos. O pior que pode acontecer – além do equipamento não funcionar – é o paraquedas abrir virado para o obstáculo. “Você precisa de um feeling para controlar tudo rapidamente. É a experiência que vai te dar isso na hora do salto em um tempo tão curto”, explica.

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