Ter dois herdeiros do maior jogador de futebol de todos os tempos treinando no clube é um privilégio. O Paraná desfruta dessa honra, mas não por muito tempo. Os netos de Pelé Octavio, de 12 anos, e Gabriel, de 10 vão defender o São Paulo a partir de julho. Os dois são filhos de Sandra Regina Arantes do Nascimento Felinto, filha reconhecida por Pelé depois de exame de DNA em 1996. Ela faleceu em 2006.
O empresário Wagner Ribeiro que representa, entre outros atletas, o atacante Neymar, do Santos, e o meia Lucas, do São Paulo foi o responsável pelas negociações que resultaram na saída dos garotos do Tricolor.
Por serem menores de 16 anos, Octavio e Gabriel, não possuíam nenhum vínculo oficial com o Paraná. Para o advogado do clube, Alessandro Kishino, não havia como segurar os netos do Rei na Vila Capanema. "Quando o atleta ainda não é profissional, pode pedir a liberação a qualquer momento. É uma situação complicada para qualquer clube", disse.
Um contrato de formação dos atletas (como aprendizes), que permite ao clube ter direito a um retorno financeiro em eventuais negociações futuras, poderia ser assinado, mas somente a partir dos 14 anos. "O Paraná espera essa idade, o que é recomendado pelo Ministério Público do Trabalho. Mas mesmo com esse contrato eles podem deixar o clube se quiserem", explica Kishino.
Sem os "Pelezinhos", o clube perde duas possíveis revelações e também um bom material de exposição do clube. O vice-presidente de marketing do Tricolor, Vladimir Carvalho, admite que existia a intenção de explorar a imagem dos jovens jogadores. "Tínhamos um foco neles porque sabíamos que, em termos de marketing, o nome Pelé é uma referência", revela. "Mesmo assim a saída deles não traz um grande impacto para nós. Eles são novos e ainda são apostas que podem ou não dar resultado", tenta amenizar Carvalho.
O pai de Octávio e Gabriel, Ozéas Felinto, acredita que a mudança será boa para os filhos. "O Paraná tem uma estrutura boa em âmbito local, mas o São Paulo tem um investimento maior. Vou procurar o melhor para eles. Hoje estou sonhando o sonho deles", afirma.
Os netos de Pelé estão prestes a completar um ano no Tricolor. O técnico das equipes sub-11 e sub-13 do Paraná, Luís Alexandre Corrêa, prefere a cautela na hora de falar sobre os herdeiros do Rei ambos faziam questão de usar a camisa 10 que eternizou o avô famoso. "Ainda é muito cedo para dizer se vão dar certo. Terão de se dedicar muito", diz o técnico, que até junho vai continuar recebendo os garotos três vezes por semana para os treinamentos. Depois, adeus.



