
O constrangimento que o presidente do Atlético, Mario Celso Petraglia, tentou evitar ao não procurar a diretoria do rival Coritiba para negociar a cessão do Couto Pereira, acabou enfrentando ontem. Após o dirigente rubro-negro afirmar pelo Twitter que a Vila Capanema não teria condições de receber os jogos do Furacão, ele foi obrigado a voltar atrás e recorreu à cúpula do Paraná para negociar a utilização do estádio do Tricolor.
Por volta do meio-dia desta segunda-feira, o mandatário atleticano ligou para o presidente paranista, Rubens Bohlen, e agendou para o fim da tarde uma "visita de cortesia" à sede social do clube. O encontro não teve nada de cortesia. Em apenas 20 minutos, Petraglia foi direto e apresentou a proposta financeira para que o Furacão mandasse seus jogos no Durival Britto. Saiu sem resposta.
Os dirigentes paranistas endureceram o jogo e deixaram para hoje o veredicto final. O superintendente-geral do Tricolor, Celso Bittencourt, não divulgou os detalhes da conversa. Entretanto, segundo apurou a Gazeta do Povo, o valor oferecido pelo Rubro-Negro foi de R$ 100 mil por jogo bem acima dos R$ 30 mil fixados pela Federação Paranaense de Futebol (FPF) para a utilização do estádio coxa-branca.
A situação deixou o Atlético refém do Paraná. No site oficial, o Tricolor anunciou que o "Atlético/PR foi atrás dos dirigentes paranistas para buscar uma saída para a falta de estádio".
Se o acordo for selado, alguns entraves devem trazer dor de cabeça ao Furacão. Por falta de equipamentos de segurança, a capacidade da Vila Capanema está reduzida a 9.999 torcedores número bem abaixo dos cerca de 18 mil sócios atleticanos. Para dispor dos 17.280 lugares disponíveis na casa paranista será necessária a instalação de sete novas câmeras de vigilância, a um valor estimado de R$ 100 mil. Custo do qual a diretoria do Tricolor não abre mão de arcar inclusive prevendo diluir esse montante na cobrança do aluguel para evitar dever favores a terceiros.
Para a Vila estar apta a receber jogos, o Paraná precisa obter o laudo sanitário, que deve ser emitido ainda nesta semana, e instalar, a pedido da PM, uma vedação entre os alambrados da torcida visitante para evitar contato visual dos torcedores dos dois times.
Se o Atlético quiser utilizar o estádio já na primeira rodada, no domingo, contra o Londrina, vai ter de se contentar mesmo com o espaço para os 9.999 torcedores o Tricolor afirmou que demoraria pelo menos dez dias para instalar as câmeras. "Esta é a realidade da Vila Capanema. O Paraná vai avaliar a situação e vai do Atlético aceitar ou não", resumiu Celso Bittencourt.
Sem contar que vai precisar da boa vontade da FPF. Isso porque o prazo limite para liberar os estádios da rodada inicial foi na quarta-feira passada. A entidade demonstrou estar disposta a ajudar o Rubro-Negro.
A alternativa da Vila Capanema serviria ao Atlético apenas para o Paranaense. Na Série B, o Rubro-Negro ainda espera adotar o Couto Pereira como lar provisório. O Regulamento Geral das Competições da CBF, inclusive, dá poder à entidade de requisitar o empréstimo dos estádios para seus torneios.
Para o Estadual, ainda há uma pequena chance de o Alto da Glória abrigar o Furacão. A Federação Paranaense tem até amanhã para protocolar no TJD-PR um pedido para caçar a liminar do Alviverde, que permite ao clube não ceder à pressão da FPF e dividir seu estádio com o rival. O departamento jurídico da gestora do futebol local já está trabalhando no recurso e espera entregá-lo até hoje.



