Michel Laub é atração nesta quarta. Veja quem vem depois:| Foto: Divulgação/Nume Comunicação

A ex-nadadora olímpica brasileira Maria Lenk morreu ontem, aos 92 anos, após ter tido um mal-estar súbito durante um treino de rotina na piscina do clube Flamengo, na Gávea. Lenk foi levada de ambulância para o hospital Copa D’Or, mas não resistiu. Exames indicaram a existência de um "aneurisma com rompimento da aorta torácica e hemorragia para a cavidade". A atleta passaria por uma cirurgia de emergência, mas, segundo o comunicado, durante a preparação ela sofreu uma parada cardíaca.

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Maria Emma Lenk Zigler foi uma precursora e sua vida como atleta a base para toda a história do esporte olímpico feminino brasileiro. Para as mulheres sempre foi mais difícil ganhar espaço. Das 76 medalhas olímpicas do Brasil, as mulheres têm 10. Maria Lenk abriu caminho ao ser, em 1932, a primeira brasileira a ir a uma Olimpíada – estava na delegação que seguiu para Los Angeles.

Para arcar com as despesas da viagem, cada atleta teria de vender uma cota de sacas de café, também embarcadas no navio Itaquicê. Em Los Angeles, a delegação descobriu que teria de pagar US$ 1 para cada atleta que desembarcasse. Os americanos não aceitavam café como moeda e ficou decidido que só deixaria o navio quem tivesse chance de medalha (32).

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"Por cavalheirismo, foi aberta uma exceção e a jovem nadadora Maria Lenk, de 17 anos, desembarcou de graça. Graças a isso, tornou-se a primeira sul-americana a participar dos Jogos", relata o livro "Sonho e Conquista", lançado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) em 2005.

Maria Lenk ainda foi a primeira diretora da Escola Nacional de Educação Física, no Rio; a primeira a participar do Conselho Nacional de Desportos, na década de 60; a primeira mulher da América do Sul a entrar para o Hall da Fama da natação, em Lauderdale, Miami. Como todo pioneirismo tem preço: ao ensinar natação em Amparo (SP), acabou excomungada pelo bispo da cidade, sob a alegação de que seu trabalho era inadequado ao sexo feminino.

A morte da ex-nadadora provocou comoção entre dirigentes, atletas e ex-atletas. "Uma mulher guerreira, determinada, que cumpriu sua missão com galhardia. Determinei um minuto de silêncio em todas as competições do esporte aquático do país de hoje (segunda-feira) até domingo", contou o presidente do Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Coracy Nunes.

Para a nadadora Flávia Delaroli, Maria Lenk foi uma inspiração. "Quando eu treinava no Flamengo, a via nadar cerca de 3 quilômetros por dia, há sete anos. Se atletas de hoje são elogiados pela força de vontade e dedicação mesmo em condições adversas, imagina na época dela. Ela foi heroína", admitiu.