
A cena é rotineira na Vila Capanema: um novo técnico chegando, se apresentando aos jogadores e mudando o que acredita estar errado. Pela quarta vez no Brasileiro, o Tricolor trocou de comandante a segunda em função direta dos maus resultados. A diferença é que, com o time três pontos mergulhado na zona de rebaixamento e a apenas oito rodadas do fim, Saulo de Freitas iniciou o trabalho, ontem, sem direito a erro.
O zagueiro Daniel Marques, porém, avisou que a nova mudança não adiantará nada se o time não mostrar mais personalidade. "Já é o quinto, e qual foi a solução? Errados somos nós jogadores. Não vamos culpar os treinadores ou a diretoria. Temos de assumir isso e jogar com mais atitude", discursou.
A esperança é que a alteração no comando técnico ajude justamente dando aquele choque de motivação comum em momentos delicados. "Já estamos acostumados. É uma mudança brusca, mais para dar uma sacudida. De repente não havia no que se agarrar e a solução encontrada foi outra troca de treinador. Tomara que ajude a tirar um peso, já que infelizmente não estávamos conseguindo desenvolver o nosso melhor com o Lori (Sandri)", afirmou o atacante Josiel.
O artilheiro aprovou o primeiro contato com Saulo. "Pelas palavras dele, acredito que vai implantar um sistema de jogo para tirar o melhor de cada um", avaliou, sabendo que o time passará a ter uma postura mais ofensiva e que a intenção é não deixá-lo tão isolado no ataque como vinha acontecendo, principalmente nos jogos fora de casa.
O discurso comentado por Josiel ficou restrito aos jogadores, ontem. Depois da coletiva de segunda-feira, o novo técnico paranista só voltará a conversar com a imprensa na sexta, mantendo a regra de duas entrevistas por semana utilizada pelos seus antecessores.
Mas os treinamentos começaram a todo vapor. Inclusive Saulo, ladeado pelo auxiliar-técnico Fernando Tonet e o preparador físico Fabiano Rosenau, esboçou o time que enfrentará o Flamengo, sábado, no Durival Britto, trocando o esquema 352 pelo 442. As principais novidades testadas foram o lateral-esquerdo Élvis seu jogador no Rio Branco durante o Paranaense atuando como volante, além do garoto Giuliano e Renan no setor de armação do meio-de-campo.
Participaram normalmente dos trabalhos o lateral-esquerdo Márcio Careca, o volante Serginho e o zagueiro Da Silva, que estavam treinando separados dos companheiros há dois meses. Na época o afastamento dos três, juntos com o meia Élton, o lateral-esquerdo Digão (atualmente emprestados ao Gama) e o lateral-direito Parral (no Fortaleza) gerou mal-estar no elenco.



