
Horas depois do anúncio da saída temporária de Aquilino Romani da presidência do Paraná, o novo responsável pelo cargo, Aramis Tissot, fez questão de sair em defesa do dirigente licenciado: "Ele sempre pensou em socorrer o clube". Mas fez uma ressalva: "Não sou investidor e nunca tive jogador de futebol na minha vida".
A declaração se refere à participação do mandatário na Invest Esporte empresa que tem porcentuais dos direitos econômicos de alguns jogadores do Tricolor e mostra que o discurso entre os dirigentes está alinhado. Indício de que, após o rebaixamento da equipe no Paranaense, a revolução no clube não será tão drástica.
"Vamos fazer uma gestão bem compartilhada, buscando uma administração mais profissional", seguiu Tissot, que não estava presente no momento do anúncio, porém atendeu a reportagem por telefone.
O pedido de licenciamento de Romani veio depois da vexatória queda para a Divisão de Acesso e após a veiculação de reportagens da Gazeta do Povo que mostraram que o presidente, segundo documento colhido pelo jornal na Junta Comercial, tem 20% do capital social da Invest.
O mandatário usou boa parte da coletiva em que anunciou seu afastamento para se defender. Romani voltou a dizer que o investimento foi feito para ajudar o clube e oficializar alguns empréstimos feitos ao Paraná.
"Em nenhum momento tive interesse em ganhar dinheiro com isso", declarou. "No último pagamento da gestão do Aurival [Correia], em 2009, dei R$ 200 mil. Tirei do meu bolso e isso está aberto até hoje dentro do clube. No início desse ano, fiz um empréstimo no Paraná Banco no meu nome e 50% disso ainda está em aberto", emendou, escancarando a condição de credor do clube.
O dirigente fez questão de dizer que toda a situação envolvendo a Invest não pesou no momento de optar pelo licenciamento. Segundo Romani, a decisão partiu dele, sem pressão da cúpula paranista.
"Ninguém da diretoria queria aceitar isso [pedido de licença], mas eu sempre penso na instituição Paraná Clube e eu tenho respeito à minha família e à minha empresa. A gente tem de ser inteligente o suficiente", declarou.
"O presidente está sob uma pressão muito grande: pessoal, profissional, familiar, do ponto de vista de saúde...", reforçou o presidente do Conselho Normativo, Luiz Carlos de Souza.
A saída provisória da presidência é a única decisão efetiva confirmada até agora. Os outros integrantes do Conselho Diretor, por enquanto, permanecem em seus cargos. O próprio Aquilino Romani admite que ainda vai atuar na gestão do clube, mostrando que as diretrizes administrativas não devem se alterar muito.
"Não estou deixando o Paraná. Estou junto com a diretoria e vou trabalhar mais do que trabalhei nestes sete anos e meio que estou aqui", disse. "No momento que achar que for necessário, que a diretoria achar que for conveniente, vou voltar", garantiu.



