Imbituba, SC – O norte-americano Kelly Slater entrou para um seleto grupo de campeões ao garantir ontem mais um título do World Championship Tour (WCT) de surfe. O fenômeno das ondas agora é heptacampeão mundial, a exemplo de Michael Schumacher na Fórmula 1, Valentino Rossi na motovelocidade e Lance Armstrong no ciclismo (volta da França) – ele perde apenas para o brasileiro Robert Sheidt, octocampeão da Classe Laser no iatismo. O título veio ontem, na Praia da Vila, em Imbituba – mesmo local em que o havaiano Andy Irons levantou a taça em 2004.

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"Senti muita pressão exatamente por ser o sétimo título. De qualquer maneira estou muito feliz. É excitante fazer parte de um grupo de pessoas tão especiais. Dedico a conquista ao meu pai, que sempre me incentivou", agradeceu, lembrando de Steve Slater, que morreu há três anos vítima de câncer.

Além da quantidade de conquistas individuais, Kelly também pode comemorar algo que poucos atletas conseguiram: abandonar a carreira e voltar anos depois com o mesmo potencial. O surfista anunciou sua saída do esporte por falta de motivação em 2000, mas voltou em 2002. O ciclista Lance Armstrong (que estava com câncer) e o jogador de basquete Michael Jordan também pararam e voltaram nos anos 90.

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"Quando voltei ao surfe minhas pernas tremiam e eu não sabia se seria o mesmo de quando parei. As pessoas me cobravam e eu estava em dúvida. Por sorte, a primeira bateria naquele ano foi contra o campeão da temporada anterior (C.J. Hobgood) e já consegui vencer", explicou.

Kelly já bateu praticamente todos os recordes da modalidade. Porém ainda resta um: o número de vitórias em etapas do WCT – ele tem 31 contra 33 de Tom Curren. Mesmo ainda querendo esse recorde, Slater pode parar.

"Uma parte de mim diz pra eu competir até bater essa marca. Já a outra fala para eu parar. Vou esperar a última prova do ano (Havaí, em dezembro) para decidir o que vou fazer", revelou o norte-americano de 33 anos.

Com o esse título, Kelly se tornou o segundo campeão mais velho (33 anos e nove meses, atrás apenas de Marc Occhilupo, que tinha 33 anos e 11 meses em 2000). Ele já ostenta a marca de vencedor mais novo do circuito: 20 anos, em 1992.

A conquista veio quando o surfista estava fora da água. Após perder nas oitavas-de-final para o sul-africano Travis Logie, ele ficou torcendo no palanque da Praia da Vila. Restava ao mito "secar" Andy Irons para deixar o Brasil com o título – o havaiano estava nas quartas-de-final diante do australiano Nathan Hedge.

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A torcida de Slater – que esfregava as mãoes e roía as unhas no setor reservado aos atletas – deu certo. Na melhor bateria do campeonato, Andy Irons foi derrotado pelo australiano Nathan Hedge. Festa do norte-americano, que recuperava a coroa após sete anos.

"Antes da bateria do Andy já tinha me passado o filme de 2003 (quando perdeu o título para o rival em uma bateria homem-a-homem). Mas o Nathan tinha me dito que venceria e eu acreditei", afirmou.

O incrível carinho da torcida brasileira que torceu o tempo todo por Slater também mereceu elogios do ídolo. "Quando levantei o troféu disse: ‘Não sei o que fiz para me adorarem tanto, mas de qualquer maneira obrigado’", disse ele, sobre o público que o fez chorar e se atirar sobre multidão que vibrava na areia.

O jornalista viaja a convite da Associação dos Surfistas Profissionais.