
Após 37 anos atuando nos bastidores (primeiro no Pinheiros e depois no Paraná), o homem-forte da parte social do clube finalmente decidiu sair de trás das cortinas. Disputado pelas duas chapas candidatas à eleição para a presidência do Tricolor, marcada para amanhã, Luis Carlos Casagrande, o Casinha, há anos é visto como o fator decisivo nos pleitos paranistas, por isso a disputa interna.
"Uns 40% dos votos são do Casinha. Ele tem um poder de persuasão enorme", garante o ex-presidente tricolor José Carlos de Miranda, que foi apoiado pelo funcionário nas duas eleições em que encabeçou chapa.
O poder de Casinha é facilmente comprovado. Basta um simples passeio ao lado do dirigente pela sede social do clube, na Avenida Presidente Kennedy, para verificar a aceitação dos chamados sócios-olímpicos. Fruto da extensa rede de contatos que construiu durante as quase quatro décadas de trabalho no comando de diversas atividades no Paraná.
"Ele é uma pessoa muito estimada. Tem grande força junto aos associados", admite Aurival Correia, outro que contou com o "empurrão" de Casinha para se sentar na principal cadeira do Tricolor.
Mesmo estudando cada palavra, Casinha admite que realmente tem condições de mudar os rumos políticos do clube. "Eu sou um bom cabo eleitoral, mas não sou melhor do que ninguém. Meu trabalho é que é bom de voto", ressalta, emendando na sequência a longa invencibilidade que possui como "puxador de votos" "Eu apoiei sempre o que era melhor para o Paraná e nunca perdi", diz ele, que completou 65 anos em outubro e há 10 dias está oficialmente aposentado.
É justamente nesse "fator Casinha" que a situação aposta para seguir mais dois anos dando as cartas no Paraná. Desta vez, porém, Casinha não será apenas um cabo eleitoral. Deixará os bastidores para participar diretamente do pleito. Testará nas urnas a tão propalada influência como um dos vices de Rubens Bohlen. "Ele é um catalisador de votos, não tem como negar isso", crava Bohlen.
Por pouco, porém, o dirigente não parou nos braços da oposição. Foi cortejado até o último instante, mas optou por seguir no grupo do atual presidente Aquilino Romani. "Eu recebi um convite do professor Miranda [um dos principais articuladores da oposição] para que, se eu quisesse encabeçar uma chapa como presidente, ele e o grupo dele me apoiariam, mas nunca tive essa pretensão", afirma.
Ivan Ravedutti, candidato que irá bater chapa com Bohlen, contudo, tentou ontem minimizar o poder de Casinha. Procurado pela Gazeta do Povo, o oposicionista não quis comentar o poder do cabo eleitoral adversário. "Saberemos se isso é verdade nas urnas", limitou-se a dizer, encerrando, por ora, a questão.



