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Política

Sombra cobiçada

Acostumado a atuar longe dos holofotes, Luis Carlos Casagrande é considerado o fator de desequilíbrio na eleição do Paraná, marcada para amanhã

Luis Carlos Casagrande concede entrevista em frente a uma das piscinas do clube: apoio irrestrito dos “sócios-olímpicos” | Antonio More/ Gazeta do Povo
Luis Carlos Casagrande concede entrevista em frente a uma das piscinas do clube: apoio irrestrito dos “sócios-olímpicos” (Foto: Antonio More/ Gazeta do Povo)

Após 37 anos atuando nos bastidores (primeiro no Pinheiros e de­­pois no Paraná), o homem-forte da parte social do clube finalmente decidiu sair de trás das cortinas. Dis­­putado pelas duas chapas candidatas à eleição para a presidência do Tricolor, marcada para amanhã, Luis Carlos Casagrande, o Casinha, há anos é visto como o fa­­tor de­­cisivo nos pleitos pa­­ranistas, por isso a disputa interna.

"Uns 40% dos votos são do Ca­­sinha. Ele tem um poder de per­­sua­­são enorme", garante o ex-presidente tricolor José Carlos de Mi­­ran­­da, que foi apoiado pelo funcionário nas duas eleições em que encabeçou chapa.

O poder de Casinha é facilmente comprovado. Basta um simples passeio ao lado do dirigente pela sede social do clube, na Avenida Presidente Ken­­nedy, para verificar a aceitação dos chamados sócios-olímpicos. Fruto da extensa rede de contatos que construiu durante as quase quatro décadas de trabalho no comando de diversas atividades no Paraná.

"Ele é uma pessoa muito estimada. Tem grande força junto aos associados", admite Aurival Cor­­reia, outro que contou com o "em­­purrão" de Ca­­sinha para se sentar na principal cadeira do Tri­­color.

Mesmo estudando cada palavra, Casinha admite que real­­men­­te tem condições de mudar os rumos políticos do clube. "Eu sou um bom cabo eleitoral, mas não sou melhor do que ninguém. Meu trabalho é que é bom de vo­­to", ressalta, emendando na se­­quência a longa invencibilidade que possui como "puxador de vo­­tos" "Eu apoiei sempre o que era melhor para o Paraná e nunca perdi", diz ele, que completou 65 anos em outubro e há 10 dias está oficialmente aposentado.

É justamente nesse "fator Ca­­sinha" que a situação aposta para seguir mais dois anos dando as cartas no Paraná. Desta vez, po­­rém, Casinha não será apenas um cabo eleitoral. Deixará os bastidores para participar diretamente do pleito. Testará nas urnas a tão propalada influência como um dos vices de Rubens Bohlen. "Ele é um catalisador de votos, não tem como negar isso", crava Bohlen.

Por pouco, porém, o dirigente não parou nos braços da oposição. Foi cortejado até o último instante, mas optou por seguir no grupo do atual presidente Aquili­­no Ro­­­ma­­ni. "Eu recebi um convite do pro­­­­­­fessor Miranda [um dos principais articuladores da oposição] pa­­ra que, se eu quisesse encabeçar uma chapa como presidente, ele e o grupo dele me apoiari­­am, mas nun­­ca tive essa pretensão", afirma.

Ivan Ravedutti, candidato que irá bater chapa com Bohlen, contudo, tentou ontem minimizar o poder de Casinha. Procurado pela Gazeta do Povo, o oposicionista não quis comentar o poder do cabo eleitoral adversário. "Sabere­­mos se isso é verdade nas urnas", limitou-se a dizer, encerrando, por ora, a questão.

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