
Definições em uma só palavra nem sempre funcionam. Ainda assim, um só adjetivo é suficiente para resumir o espírito do torcedor coxa-branca no mês em que o Coritiba completa 100 anos. É um otimista. Talvez os bons resultados do time de Ney Franco no returno do Brasileirão tenham superado a ausência de títulos no centenário em segundo plano. O fato é que a torcida alviverde aposta em um futuro "glorioso", para usar a palavra entoada nas arquibancadas do Alto do Glória. Por sinal, é no bairro que o torcedor quer ver o time jogar. Nem que para isso seja preciso abrir mão de modernizar o estádio.
Em levantamento encomendada pela Gazeta do Povo ao instituto Paraná Pesquisas sobre o perfil coxa-branca, a opinião do torcedor é que, dos 100 anos para frente, o Coxa brigará pelos principais títulos nacionais ou, ao menos, será uma força intermediária, com participações em Libertadores.
Esses e outros resultados da pesquisa (veja ao lado) foram comentados, na quinta-feira por um grupo convidado pela reportagem da Gazeta do Povo. O encontro foi no Memorial Belfort Duarte, ao lado dos troféus conquistados pelo Coxa, e teve a presença do presidente do Coritiba, Jair Cirino; do heptacampeão paranaense e atual coordenador técnico das categorias de base, Dirceu Krüger; do diretor da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo; do integrante dos Helênicos (responsáveis por pesquisar a história do clube) Sílvio Cesar Marçal Gonzaga; e de dois torcedores, o chef Celso Freire e o triatleta Edson Ricardo Brero.
O caminho para manter um time forte, indicam 40,61% das respostas, é reforçar-se com parcerias firmadas com empresários.
"O torcedor espera que as empresas ajudem o time a ganhar títulos, como foi a Parmalat no Palmeiras", exemplificou Hidalgo. Enquanto o torcedor priorizou a parceria com empresários, Cirino destacou o investimento nas categorias de base. "O Coritiba é reconhecido pelos atletas revelados no clube. Investimos também na profissionalização dos departamentos de marketing e futebol, em ter contratos longos com nosso elenco", apontou.
A aproximação com empresários de jogadores é vista com receio. "Há muitos empresários que merecem elogios, mas há os que dão desespero. Negociam o atleta com um clube e depois procuram outros", disse o dirigente.
De imediato, a torcida quer a permanência de Ney Franco (85,06%) no 101.º ano do clube. "Ele consegue o melhor de cada jogador", afirmou Celso Freire. Krüger, por sua vez, comparou o atual treinador a Ênio Andrade, campeão brasileiro em 1985. "(O Ney) Tem carisma, sabe aglutinar, manter até mesmo aquele jogador que não fica nem no banco contente e motivado."
O artilheiro Marcelinho Paraíba foi apontado por 57,66% dos entrevistados como jogador de que o Coritiba não pode abrir mão em 2010. O grupo no Memorial, porém, disparou outras prioridades. "Leandro Donizete e Édson Bastos são jogadores-chave", exemplificou o helênico.
O amor pelo Estádio Couto Pereira também foi lembrado pela torcida. A preferência da maioria (94,06% ) é manter o Alto da Glória como casa alviverde. A reforma e modernização da atual praça de esportes é o pedido de 87,55% dos entrevistados. "Cresci vindo ao Couto com meu pai. Meu pai cresceu vindo com meu avô", recordou Edson Brero.
Jair Cirino respondeu que o Coritiba estuda qual o futuro da sede coxa-branca, se haverá reformas ou um novo estádio e em qual local. "Essa nostalgia, as tantas lembranças do torcedor aqui no Couto Pereira, certamente serão levadas em consideração", disse.
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Coritiba 100 anos
Falta 1 dia - 11 de outubro
Em 1939, nasce Roderley Geraldo de Oliveira, em Olímpia (SP). O quarto-zagueiro Roderley foi bicampeão paranaense pelo Coritiba, em 1968 e 1969.
Em 1953, Coritiba e Renner empatam por 1 a 1. A partida contou com a presença do atleta gaúcho Ênio Andrade, que se tornaria campeão brasileiro dirigindo o Alviverde em 1985.
Em 1959, o Coritiba comemora cinquenta anos, e o presidente Aryon Cornelsen convida o Santos de Pelé para um jogo amistoso, que termina com a vitória do, na época, campeão paulista, por 1 a 0, gol do meia-direita Sormani.
Em 1972, nasce Cléber Eduardo Arado, em São José do Rio Preto. O atacante Cléber foi um dos maiores ídolos da torcida nos anos 1990.
O grupo Helênicos agradece imensamente ao povo paranaense, que contribuiu de forma decisiva com a pesquisa do grupo, tornando com isso possível que a história do Coritiba seja contada com maior riqueza de detalhes e precisão.




