
Não será exatamente da maneira que Wanderlei Silva planejou, mas hoje à noite, depois de 12 anos, o lutador paranaense volta a competir em casa, no UFC 147. O ídolo de uma geração do vale-tudo, de carreira consagrada no Japão, porém, não poderá travar uma das revanches mais esperadas das artes marciais. Lesionado (mão quebrada), o carioca Vitor Belfort, cuja rivalidade com o curitibano ficou ainda mais evidente no reality show The Ultimate Fighter Brasil (TUF), deu lugar ao americano Rich Franklin. Outro reencontro sem o mesmo brilho e expectativa , mas que promete surpreender os fãs em Belo Horizonte.
INFOFRÁFICO: Trajetória do lutador paranaense Wanderlei Silva
INFOGRÁFICO: Ficha técnica de todos os combates do card do UFC 147
O adiamento do duelo contra Belfort que pode ser remarcado para outubro, no Rio não foi uma decepção apenas para a torcida. Todo o foco de Wanderlei estava em devolver a humilhante derrota de 1998, na primeira edição brasileira do UFC. Ele chegou a explicitar sua frustração pelo Twitter chamando o desafeto de "arregão".
"Depois dele [Belfort], ninguém ficou mais triste do que eu", diz Wanderlei, em entrevista à Gazeta do Povo. "Treinei muito, estou muito bem preparado, mas agora vou enfrentar outro grande atleta. Já fizemos a luta da noite uma vez, espero que o desempenho se repita", continua o Cachorro Louco, citando o primeiro encontro com o americano, ex-campeão da categoria média, três anos atrás.
O anticlímax não atingiu apenas a escolha dos adversários. O local do confronto também não é o original. Problemas jurídicos envolvendo a vizinhança do Estádio Pacaembu, em São Paulo, tiraram o torneio da capital paulista. O plano B, o Engenhão, no Rio, não funcionou por falta de estrutura e de logística por causa da conferência da ONU Rio+20. Melhor para Belo Horizonte.
Do rótulo de potencial maior edição da história, o UFC 147 ainda perdeu a esperada luta entre Anderson Silva e Chael Sonnen para Las Vegas (EUA). Com ela, foi também grande parte do prestígio.
À exceção do combate entre os pesos pesados Fabrício Werdum e Mike Russow e dos penas Yuri Marajó e Hacran Dias, o restante do card não tem nenhum nome de destaque a maioria é proveniente do TUF. Resultado: a carga de 14 mil ingressos ainda não foi totalmente vendida.
Mas, apesar de todo esse cenário, é a torcida quem pode transformar a quarta edição brasileira do Ultimate em algo inesquecível. Na quarta-feira, mais de mil pessoas acompanharam o treino aberto. Ontem, outros milhares de fãs vibraram muito na pesagem. Pressionado por uma vitória, já que se aproxima da aposentadoria, Wanderlei vai usar esse apoio para tentar mostrar no octógono que ainda pode relembrar os melhores momentos da carreira.
"Estou muito feliz com a recepção e espero corresponder. Tem atletas que crescem e outros que diminuem com a pressão. Eu, graças a Deus, cresço muito quando estou debaixo da luzes. Espero fazer o show que todos querem", fecha o curitibano.



