As notícias recentes de que as vacinas contra Covid-19 em breve estarão disponíveis são um alento para quem quer voltar à vida normal.| Foto: Divulgação/Pfizer
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Quando o FDA lançou seu guia de aprovação final para qualquer vacina contra a Covid-19, muitos diziam que as vacinas eficientes contra a doença só causariam um impacto maior no cotidiano no começo de 2022. O principal fator para esse pessimismo era o fato de que o guia do FDA dizer que as vacinas aprovadas talvez tivessem apenas 50% de eficiência, que a produção e distribuição da vacina eram extremamente difíceis e que muita gente hesitaria em tomar a vacina.

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Com as notícias recentes, divulgadas por duas fabricantes (Pfizer e Moderna) de que as análises preliminares da Fase 3 mostram uma proteção maior do que 90% — e com o anúncio mais recente ainda de que a vacina da AstraZeneca também apresenta um eficiência de 90% — há motivo para muito otimismo quanto à possibilidade de voltarmos à vida normal.

Três fatores levam a esse otimismo renovado. Primeiro, os sinais de que as vacinas provavelmente serão mais eficientes do que os 50% estabelecidos pelo FDA. Isso causará um efeito direto na disseminação da doença. As análises foram conduzidas depois que uma quantidade predeterminada de participantes na Fase 3 desenvolveram uma infecção. Nessa fase, os membros da equipe de análise revelaram os dados de modo que soubessem quem recebeu a vacina e quem recebeu o placebo.

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Eles determinaram a quantidade de meses que os participantes da criação da vacina foram observados até o desenvolvimento da infecção; alguns participantes foram observados por dias e outros por vários meses. A equipe de análise, então, determinou a quantidade de meses de observação entre os participantes que tomaram placebo e o mesmo para os que tomaram a vacina. Daí, comparando a proporção de casos por meses de observação nos dois grupos, a equipe determinou o nível de proteção da vacina em comparação com o placebo. As comparações mostraram que as vacinas oferecem uma proteção excepcional.

Outro motivo para o otimismo é que provavelmente as vacinas serão mais aceitas entre o público do que originalmente se esperava devido ao alto nível de proteção e os poucos efeitos colaterais relatados. O pico do vírus, que atualmente está pressionando o sistema de saúde e levando a uma quantidade significativa de mortes diárias, exige mais restrições — o que provavelmente aumentará o desejo do público por uma vacina.

O último fator de otimismo é que as duas fabricantes de vacina estão pedindo autorização para uso emergencial nos EUA, com base em dois meses de observação de todos os participantes. Se os EUA derem a permissão, haverá doses o bastante para vacinar cerca de 40 milhões de pessoas no fim de dezembro e começo de janeiro. E, se as vacinas forem aplicadas nos trabalhadores da linha de frente e nos mais vulneráveis, supõe-se que a hospitalização e as mortes caiam substancialmente antes de observarmos a imunidade e a redução de casos entre a população em geral. A redução nas hospitalizações e mortes significaria um relaxamento nas restrições atuais.

Sinais precoces de que as duas vacinas oferecem um nível alto de proteção e que a produção das duas já começou, bem como a probabilidade de que haja uma aceitação maior da vacina – tudo isso dá esperança de que em breve possamos ver uma redução lenta e constante nos casos e nas complicações ao longo dos próximos meses. Se tudo isso passar, então talvez tenhamos um Dia de Ação de Graças mais normal ano que vem.

Jonathan Ellen é pediatra e epidemiologista, especialista em saúde pública e ex-CEO do centro pediátrico do hospital Johns Hopkins.

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Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]
© 2020 City Journal. Publicado com permissão. Original em inglês