Maior pesquisa já feita sobre o assunto, publicada pela prestigiada revista Science, atesta que não há um gene capaz de determinar a orientação sexual| Foto: Pixabay

Não existe gene para determinar a orientação sexual de uma pessoa, mas outras características genéticas, assim como ambiente, ajudam a moldar a sexualidade, como demonstra uma pesquisa recém-divulgada.

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Os pesquisadores analisaram o DNA de centenas de milhares de pessoas. Andrea Ganna, professor do Hospital Geral de Massachusetts e da Escola de Medicina de Harvard, diz que a pesquisa reforça a ideia de que o comportamento sexual homossexual é simplesmente “uma parte natural da nossa diversidade enquanto espécie”.

O novo estudo, publicado na última quinta-feira (29) na revista Science, não é o primeiro a explorar a conexão entre genética e homossexualidade, mas é o maior do tipo, e os especialistas dizem que ele explica de forma mais clara a relação entre genes e sexualidade.

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Ganna e uma equipe internacional de cientistas examinaram dados de mais de 470 mil pessoas nos Estados Unidos e Reino Unido para procurarem certos marcadores genéticos no DNA que estivessem associados ao comportamento sexual. Os pesquisadores usaram dados do Biobank do Reino Unido e da empresa privada 23andMe que, além do DNA, tinha respostas a perguntas sobre o comportamento e a identidade sexual dos voluntários.

Mais de 26 mil voluntários disseram que tiveram ao menos um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo. Estudos anteriores, segundo os cientistas, não eram amplos o suficiente para revelar os efeitos sutis dos genes específicos.

Os pesquisadores conseguiram encontrar cinco variações genéticas estatisticamente associadas ao comportamento homossexual, mas nenhuma delas tinha um efeito relevante e não podem, sozinhas, prever a homossexualidade. Uma das variantes foi encontrada numa porção do DNA relacionada ao olfato. E outra em genes relacionados à calvície masculina, o que levou os autores a dizerem que isso pode sugerir que as variações de hormônio podem estar envolvidas no processo.

Essas variações, juntamente com milhares de outras no genoma humana que têm efeitos menores, respondem por algo entre 8% e 25% da variação no comportamento homossexual, de acordo com a análise.

Eric Vilain, diretor do Centro de Medicina Genética do Sistema Nacional de Saúde Infantil, disse que o estudo marca o fim do “conceito simplista do ‘gene gay’”.

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"Ele mostra que o comportamento homossexual é muito mais complexo do que a ideia de ter apenas um gene influenciando tudo”, disse Vilain, que não esteve envolvido com a pesquisa.

Limitações

A nova pesquisa tem limitações. Vilain, professor no Departamento de Genoma a Medicina de Precisão na Universidade George Washington, disse que os autores do estudo puseram todos os participantes que disseram ter experimentado ao menos um relacionamento homossexual no mesmo grupo. “O problema é que isso talvez diminua a eficiência de uma busca por fatores genéticos que podem estar presentes em indivíduos que sentem atração exclusivamente por pessoas do mesmo sexo ao longo de toda a vida”, disse.

Ainda assim, Vilain acrescentou que “a pesquisa captura a complexidade da atração por pessoas do mesmo sexo. Ele capta as experiências da vida real em vez de tentar colocar as pessoas em compartimentos que são sempre arbitrários”.

Vilain também disse que no estudo, que inclui sobretudo voluntários europeus e norte-americanos, falta diversidade. “Ele ignora o que acontece com outros grupos demográficos”, disse.