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Jimmy Lai, o bilionário preso na China por fundar jornal pró-democracia vira símbolo de liberdade

Sebastien Lai, filho do editor de mídia de Hong Kong Jimmy Lai, que está preso, mostra uma foto de seu pai durante uma prévia da Cúpula de Genebra sobre Direitos Humanos e Democracia, em Genebra, Suíça. (Foto: EFE/EPA/SALVATORE DI NOLFI)

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Como mostra a prisão de Jimmy Lai, a prosperidade econômica de um país significa muito pouco se ele não conseguir preservar as liberdades civis.

Em maio, o presidente Trump reuniu-se com Xi Jinping em Pequim, marcando a primeira visita de um presidente dos Estados Unidos à China desde 2017. Trump voltou com acordos destinados a fortalecer as relações entre os Estados Unidos e a China e a promover a cooperação em importantes questões de política externa. Um dos acontecimentos mais notáveis após a reunião foi a rápida libertação do pastor Ezra Jin Mingri, detido em outubro de 2025 por liderar uma igreja cristã clandestina. Embora o retorno de Jin ao lar represente uma importante vitória para a liberdade religiosa, Trump não conseguiu garantir a libertação de outro prisioneiro político proeminente: Jimmy Lai, empresário de Hong Kong — e cidadão britânico — que está preso há mais de cinco anos por dirigir o jornal pró-democracia Apple Daily.

Lai, um empreendedor que construiu sua própria fortuna e se tornou bilionário, teve a oportunidade de fugir antes de ser preso, mas decidiu permanecer no território para incentivar milhões de habitantes de Hong Kong a continuar lutando pela liberdade e pela autonomia que a região desfrutou durante décadas. A situação de Lai me toca profundamente por causa das experiências de minha família durante a Revolução Comunista Chinesa, mas deveria ser igualmente significativa para todo americano que acredita nas virtudes das liberdades econômica e social.

Nos últimos anos, a China complicou a convicção, há muito defendida pelos liberais clássicos, de que os mercados livres são fundamentais para a prosperidade econômica. Embora o país tenha adotado o planejamento central, ele se tornou a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Hong Kong encontra-se em uma posição delicada: a ilha esteve sob influência britânica e, em alguns períodos, sob controle britânico desde 1842. Em 1997, terminou o arrendamento britânico do território, e Hong Kong foi devolvido à China. A política de “um país, dois sistemas” prometia que Hong Kong se tornaria parte da China, mas manteria sua economia capitalista e seu sistema político parcialmente democrático durante o período de transição de 50 anos. Ativistas argumentam que a China erodiu as liberdades e puniu os dissidentes, o que levou a grandes protestos em 2014 e 2019.

No entanto, como mostra a prisão de Jimmy Lai, a prosperidade econômica não pode se sustentar se o país também não respeitar as liberdades civis. Lai está detido desde agosto de 2020. Em fevereiro, ele foi condenado a 20 anos de prisão por conspirar com forças estrangeiras, com base na lei de segurança nacional do território. Aos 78 anos, grupos de defesa dos direitos civis classificaram corretamente a sentença como uma “sentença de morte”. Ele foi mantido em confinamento solitário, período em que sofreu uma perda substancial de peso e uma deterioração de sua saúde.

Recentemente, o governo de Hong Kong tentou confiscar mais de 127 milhões de dólares de Hong Kong — o equivalente a 16 milhões de dólares americanos — de Lai, alegando que os recursos estão relacionados aos crimes cometidos por ele. Quando um governo não respeita as liberdades civis, a prosperidade econômica só alcança o limite que seus líderes permitem.

Lai representa a transformação ocorrida em Hong Kong: de uma cidade que abraçava liberdades compatíveis com os sistemas britânico e americano para uma cidade que luta para preservar o que um dia teve. Hong Kong pode estar a milhares de quilômetros de distância, mas os valores pelos quais Lai e outros ativistas lutam são os mesmos em que os americanos acreditam: a liberdade de participar do governo, de criticar os políticos e suas decisões e de publicar opiniões sem medo de retaliação. Esses valores não deveriam parecer estranhos aos americanos.

O presidente Trump deverá reunir-se novamente com Xi no próximo mês. A disposição do governo chinês de libertar o pastor Jin oferece um motivo para manter a esperança em relação a Lai, embora Trump esteja correto ao afirmar que será “difícil” garantir sua libertação. Mas os Estados Unidos não podem desistir dele. Lai é um herói que colocou a própria vida em risco para que outros possam continuar lutando por nossos valores comuns de liberdade e dignidade humana.

Rachel Chiu formou-se recentemente pela Faculdade de Direito de Yale e é colaboradora da Young Voices, uma organização que apoia jovens autores para que expressem suas opiniões sobre temas de interesse público. Sua atuação concentra-se em liberdade de expressão na internet e políticas relacionadas à tecnologia.

©2026 Foundation for Economic Education. Publicado com permissão. Original em inglês: True Courage in Hong Kong

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