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Armadilha nutricional

A ideia de que as pessoas trabalham demais no capitalismo é um mito

  • PorBarry Brownstein
  • FEE - Foundation for Economic Education
  • 23/10/2019 10:13
Ao contrário do que dizem os socialistas, trabalhamos muito menos do que nossos antepassados porque, graças ao capitalismo, temos o que comer.
Ao contrário do que dizem os socialistas, trabalhamos muito menos do que nossos antepassados porque, graças ao capitalismo, temos o que comer.| Foto: Pixabay

Num passado nem tão distante assim, as pessoas não trabalhavam duro, mas não pelos motivos levantados por socialistas ou revisionistas históricos. Não havia camponeses felizes trabalhando durante algumas horas nos campos e aproveitando ociosamente o restante do dia. Eles estavam morrendo de fome e não tinham energia para trabalhar. Longe da vida idílica, ver o próprio filho sofrendo de desnutrição e estar fraco demais para ajudá-lo deve ter sido uma experiência horrível.

A armadilha nutricional

Em seu livro A Grande Saída, o prêmio Nobel de Economia Angus Deaton explica a “armadilha nutricional” que a população britânica teve de enfrentar.

A população do Reino Unido nos séculos XVIII e XIX consumia menos calorias do que precisava para que as crianças atingissem todo o seu potencial e para que os adultos mantivessem um corpo saudável e realizassem trabalhos produtivos remunerados. As pessoas eram muito magras e baixas, talvez mais baixas do que qualquer período anterior (ou posterior).

Deaton explica como a falta de comida afetava o corpo. Os trabalhadores do passado não eram fortes; um corpo menor representava mais esperança de sobrevivência.

Ao longo da história, as pessoas se adaptaram à falta de calorias, deixando de crescer e engordar. O corpo mirrado não só é consequência de não se ter o bastante para comer, sobretudo na infância, como também corpos menores precisam de menos calorias para a manutenção básica, o que permite a essas pessoas trabalharem com menos comida do que uma pessoa maior precisaria. Um trabalhador de 1,82m e 90kg sobreviveria tão bem no século XVIII quanto um homem na lua sem o traje espacial; em média, simplesmente não havia comida o bastante para sustentar uma população com as dimensões físicas de hoje.

O inglês médio do século XVIII consumia menos calorias do que o homem médio que hoje vive na África subsaariana. Como não tinham o que comer, esses pobres ingleses trabalhavam pouco. Escreve Deaton:

Os trabalhadores do século XVII estavam presos a uma armadilha nutricional; eles não podiam ganhar muito por que estavam fisicamente fracos e não conseguiam comer porque, sem trabalho, não tinham dinheiro para comprar comida.

Johan Norberg, em seu livro Progress [Progresso] fala das pesquisas do historiador econômico e prêmio Nobel Robert Fogel:

Há duzentos anos, cerca de 20% dos trabalhadores da Inglaterra e França não conseguiam trabalhar. No máximo eles tinham energia para algumas horas de caminhada lenta por dia, o que condenava a maioria deles a uma vida de mendicância.

E então tudo começou a mudar. Deaton explica:

Com o início da Revolução Agrícola, a armadilha começou a se desarmar. A renda per capita começou a aumentar e, talvez pela primeira vez na história, houve a possibilidade de melhorar a nutrição das pessoas. Uma nutrição melhor permitiu que as pessoas ficassem mais fortes e mais altas, o que por sua vez permitiu que a produtividade aumentasse, criando uma sinergia positiva entre melhoras na renda e na saúde, uma influenciando a outra.

Ignorância da história

Já no fim da minha carreira como professor, alunos sem conhecimento histórico estavam se tornando insuportavelmente comuns. Eles não conheciam a pobreza deplorável que a maioria da Humanidade enfrentou durante milênios. Eles não acreditavam que o passado podia ter sido tão brutal quanto o descrito por Matt Ridley no seu livro O Otimista Racional. Pior: diante de provas, alguns alunos se recusavam a questionar sua posição.

Camille Paglia explica que, como “tudo é muito fácil hoje em dia, [alunos] sentem que a vida sempre foi assim”. Paglia continua dizendo que, “como nunca foram expostos à história, eles não têm ideia de que essas são realizações bastante recentes de um sistema econômico específico”.

O capitalismo, continua ela, “gerou essa abundância toda ao nosso redor. Mas os jovens parecem acreditar que o governo controla tudo”.

Os indivíduos, ignorantes da economia e história, acreditam que a abundância de hoje sempre existiu. É compreensível por que eles talvez estejam apaixonados por seu socialista democrata preferido. Acreditando que eles conseguirão manter a abundância, eles sonham em uma prosperidade maior ainda à medida que um governo socialista transferir riqueza para eles. Talvez eles também sonhem com um mundo prometido pelos socialistas no qual eles trabalhem menos.

O governo deveria reduzir a jornada de trabalho?

A revista socialista democrática Jacobin diz que trabalhamos demais e culpa o capitalismo pelo “problema”. Eles se perguntam: “como usaríamos o tempo se estivéssemos livres das exigências do capitalismo?” Escrevendo na Jacobin, Matt Bruening pela pela redução forçada na jornada de trabalho dos norte-americanos:

Há bons motivos para redistribuir melhor o trabalho nos Estados Unidos. A melhor forma de fazer isso seria diminuindo a quantidade de horas que as pessoas atualmente empregadas têm de trabalhar criando mais feriados, férias, licenças remuneradas e licenças de saúde, e depois aumentando a capacidade de trabalho dos outros oferecendo creches para os filhos, asilo para os mais velhos, cuidando dos deficientes e implementando políticas no mercado de trabalho.

Ann Jones, escrevendo na Salon, diz: “o capitalismo norte-americano fracassou”, em parte, porque estamos “trabalhando demais”. Jones foi correspondente no Afeganistão. Ao voltar para os Estados Unidos, ela imaginou ter encontrado aspectos semelhanças entre o Afeganistão e os Estados Unidos: “Foi difícil voltar para aquele outro mundo empobrecido e violento, onde o medo impera e as pessoas são belicosas”.

Jones anseia por aquilo que ela vê como uma utopia escandinava, onde eles trabalham “produzindo coisas para todos – e não para gerar lucro para uns poucos”. O que Jones se recusa a entender é que os escandinavos se consideram capitalistas.

O capitalismo melhorou o trabalho

Ao contrário do mito, os trabalhos nas fábricas do século XIX eram ótimos empregos; os empregos de hoje são ainda melhores. Escrevendo na Reason, Arthur M. Diamond Jr. conta a história de um menino inglês de 8 anos que trabalhava 14 horas por dia numa fazenda: "Adorei quando me levaram para Leeds e me colocaram para trabalhar numa fábrica de tecidos”.

A mudança da fazenda para uma vida melhor na fábrica acontecia nos Estados Unidos também. No meu texto “O último alerta de Stephen Hawking: por que suas preocupações não têm sentido”, conto a história de Lucy Larcom, uma poeta norte-americana do século XIX que, aos 11 anos, por necessidade, trabalhava nas indústrias têxteis de Lowell, Massachusetts:

No livro de Lucy, A New England Girlhood [A infância de uma menina da Nova Inglaterra], ela escreve sobre sua experiência. Na indústria têxtil, ela encontrou outros poetas e escritores que, como ela, ansiavam por aprender e frequentavam as aulas do Liceu todos os dias.

Ela não poderia ter imaginado os Estados Unidos de hoje – com um padrão de vida muito maior, menos operários e mais pessoas buscando realizar seus sonhos. Mas ela sabia muito bem que seu mudo já estava em transformação. “Coisas que pareciam um milagre” para seus pais eram comuns para ela.

“Nossa atitude – o espírito do tempo”, escreveu Larcom, “era a mesma de crianças correndo para ver uma espetáculo que se aproximava e para imaginar qual espetáculo ainda mais incrível viria depois deste”.

“Tudo era expectativa”, acrescentou Larcom. “As mudanças estavam acontecendo. As coisas se realizariam, só que ninguém sabia dizer o quê”.

Se você acredita que esse depoimento é apenas uma fantasia, Diamond diz que:

Charles Dickens, famoso por defender os pobres em seus romances de meados do século XIX, elogiou as condições de trabalho das meninas do interior numa fábrica de tecidos de Boston.

O trabalho agrícola era muito mais exaustivo e perigoso. As meninas como Lucy Larcom buscavam a oportunidade de terem uma vida melhor.

Diamond observa que o capitalismo empreendedor “tem uma longa história de criar empregos melhores e também de mover os postos antigos de trabalho para o ponto mais alto da hierarquia de necessidades”. Diamond dá um exemplo excelente do século XIX:

Um dos primeiros exemplos de dinamismo inovador melhorando os pontos de trabalho aconteceu quando o querosene substituiu o óleo de baleia na iluminação de alta qualidade. A coleta de óleo de baleia exigia que os baleeiros passassem dias extraindo o produto da cavidade cerebral das carcaças em decomposição de baleias enormes. O trabalho nos campos de petróleo, longe de ser perfeito, era melhor do que trabalhar nas cavidades de baleias em decomposição.

Da mesma forma, fabricar e consertar geladeiras é melhor e paga mais do que o trabalho perigoso de extrair gelo sob temperaturas insuportáveis.

Se o progresso continuar, as pessoas do futuro, usando a régua do próprio tempo, talvez falem das jornadas e das condições de trabalho “deploráveis” de hoje em dia. O progresso é assim. O capitalismo tem gerado uma prosperidade e melhoras inimagináveis nas condições de vida dos trabalhadores.

Barry Brownstein é professor emérito de economia e liderança na Universidade de Baltimore.

© 2019 FEE. Publicado com permissão. Original em inglês

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