Cármen Lúcia e Rosa Weber, ministras do STF, fotografadas em agosto durante a solenidade de posse de Rosa como presidente do TSE.| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag. Brasil

Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmen Lúcia falou, durante evento nesta segunda-feira (12) no Rio de Janeiro, sobre o preconceito que sofreu ao longo da vida e durante a carreira na área jurídica por ser mulher. 

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“O preconceito continua e o Direito não resolve. O que resolve é a sociedade sabendo do preconceito e sabendo como lidar com ele”, afirmou, em seminário na Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Preconceito prevalece entre minorias; sofro preconceito por ser mulher”, afirmou.

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Na opinião de Cármen Lúcia, uma das principais desigualdades no Brasil é aquela que se dá contra as mulheres. Por isso, acredita ser importante a discussão do tema. A ministra afirmou que a igualdade entre os sexos é uma construção social da qual os brasileiros ainda estão distantes.

Ela ainda lembrou que, como presidente do STF, visitou penitenciárias e verificou que a situação das mulheres é muito mais difícil nessas situações do que a dos homens. A juíza citou como exemplo a fila de visitas a mulheres, que é bem menor que a masculina. Segundo Cármen, isso ocorre porque, muitas vezes os chefes das famílias proíbem até mesmo as mães de visitarem as filhas, questionando “que sociedade teremos com essa falta de olhar? Que sociedade queremos ter para que a gente mude?”.

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Na palestra, a ex-presidente do Supremo ainda defendeu a ampla transparência das atividades dos membros de instituições democráticas, sem informar, no entanto, a quais se referia. 

“O Brasil tem situação em que engole elefante e engasga com a formiga. O Brasil consegue ter um tribunal constitucional que julga em público. Isso não é de menor importância. Quisera eu que essa mesma discussão democrática estivesse em todas as instâncias democráticas no Brasil. Seria positivo para as minorias”, disse.

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