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Sem imposto, sindicatos terão de se virar sozinhos, diz presidente do TST

Na contramão da expectativa de alguns sindicalistas, João Batista Brito Pereira afirma que sindicatos não são “frágeis” e precisam encontrar novas formas de financiamento

  • Brasília
  • Estadão Conteúdo
João Batista Brito Pereira assumiu a presidência do TST em fevereiro de 2018. | Divulgação/Flickr/TST
João Batista Brito Pereira assumiu a presidência do TST em fevereiro de 2018. Divulgação/Flickr/TST
 
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O novo presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), João Batista Brito Pereira, defende que, com o fim do imposto sindical obrigatório, os sindicatos terão de se virar sozinhos. Na primeira entrevista desde que assumiu a instância máxima da Justiça do Trabalho, em fevereiro deste ano, o magistrado afirmou que as entidades que representam os trabalhadores terão de usar a “inteligência” para se financiar.

“Eles precisam adotar medidas para sobreviver e são os trabalhadores que decidem [se querem contribuir com o sindicato ou não]”, disse.

Confira: De datilógrafo a presidente do TST: quem é João Batista Brito Pereira

A posição do novo presidente da Corte trabalhista vai na contramão da expectativa de alguns sindicalistas que esperavam apoio a uma eventual contribuição voluntária a ser regulamentada em lei. Na entrevista concedida ao Estadão/Broadcast, Brito Pereira defendeu a autorregulação e também rejeitou a avaliação de que há fragilidade nas entidades sindicais. A seguir, os principais trechos da entrevista. 

A reforma trabalhista alterou profundamente a maneira com que os sindicatos são financiados. Sem dinheiro, algumas entidades até anunciaram corte de pessoal. O senhor está preocupado com o financiamento sindical?

Do mesmo jeito que me preocupo com fortalecimento da Justiça do Trabalho, também desejo o fortalecimento das entidades sindicais. Entidades sindicais de empregados e empregadores são, sem dúvida nenhuma, um dos pilares que sustentam a estabilidade das relações e, portanto, precisam ser fortes. Sem a arrecadação, eles podem não ser fortes. O que acontece é que a arrecadação está no seio da autocomposicao, da autogovernança, e sindicatos têm autonomia para isso.

Mas como garantir o financiamento nesse sistema de autogestão? 

Pois é, isso é da inteligência das entidades sindicais. Está submetida apenas a eles (sindicatos) a autoridade e a autonomia. Não cabe a mim ou a quem quer que seja fazer juízo de valor sobre se estão bem ou se não estão bem. Eles precisam adotar as medidas legais e estruturais para sobreviver e são os trabalhadores que decidem. Se os trabalhadores decidem e o ambiente é livre, não vejo que se possa de longe censurar ou emitir juízo de valor. Eu quero ver a paz entre eles e, para isso, sindicatos são os bons atores.

Confira: Defensores da reforma trabalhista, sindicatos patronais demitem para sobreviver

Mas há reclamação. Será que falta engajamento do trabalhador? 

O trabalhador já está bem ambientado com isso. Em qualquer cidade de médio ou pequeno porte, se vê sindicatos realizando assembleias no clube ou salão da igreja. A globalização levou o conhecimento de tudo. O sindicato de uma cidade pequena sabe as teses debatidas no ABC paulista. Estão muito orientados. E eu já não compreendo mais como é que se pode admitir que um sindicato é tão frágil na negociação. Não é. Os trabalhadores estão muito bem preparados e o Brasil precisa disso.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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