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Valorizar quem ensina é uma responsabilidade de todos nós.

E SE OS PROFESSORES DESISTIREM DA PROFISSÃO?

Imagem de uma sala de aula com o título do texto escrito no quadro.
(Foto: Imagem gerada por Inteligência Artificial.)

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Todo mundo tem aquele professor que nunca esqueceu, né? Eu lembro com muito carinho da “tia” Priscila, que me ensinou a ler. Da professora Elisabeth, de Inglês, que ensinava com músicas dos Beatles. E da professora de Língua Portuguesa, a Estelinha, que me apresentou os livros da Coleção Vaga-Lume.

São lembranças que ficam para a vida inteira. Mas, neste Dia do Professor, além das lembranças e da gratidão, quero compartilhar uma preocupação: quem vai ensinar nossas crianças se cada vez menos pessoas querem seguir a carreira docente?

Números indicam alerta vermelho!

Uma pesquisa do Instituto Casagrande Social, chamada O Estado do Professor Brasileiro 2026, ouviu 7.246 professores de escolas públicas e privadas de todo o Brasil e revelou um cenário preocupante.

Entre os entrevistados, 48,3% já pensaram em abandonar a profissão. No Paraná, esse percentual ultrapassa 50%.

Além disso, 66,4% dos participantes relatam esgotamento emocional frequente, 58,7% enfrentam situações de desrespeito e 72,6% consideram a remuneração insuficiente/inadequada, tendo em vista os desafios da atualidade.

E tem mais: 76,5% trabalham além da jornada contratada e 68,9% têm dificuldade de se desligar mentalmente do trabalho.

Porque, vamos combinar, o trabalho do professor não termina quando a aula acaba. Tem planejamento, avaliações, correções, reuniões e preocupações com os estudantes.

O Professor Doutor Renato Casagrande, nosso parceiro e idealizador da pesquisa, afirma que “o que mais me preocupa é a desistência de ser professor mesmo estando dentro da escola. É continuar indo de corpo presente para a sala de aula, mas já não conseguir levar a alma, o entusiasmo e a esperança”. Para ele, é preciso cuidar das condições de trabalho do professor, antes que desistam.

Família e escola precisam estar do mesmo lado

A gente foi colocando cada vez mais responsabilidades nas costas dos professores. Além de ensinar, eles precisam lidar com dificuldades emocionais dos alunos, conflitos, questões de comportamento, inclusão, tecnologia e burocracia. Muitas vezes, sem o apoio necessário. E aqui entra uma responsabilidade que também é nossa, especialmente das famílias.

Será que estamos ensinando nossos filhos a respeitar os professores? A compreender que existem regras e limites dentro da escola? Estamos procurando conhecer as dificuldades que esses profissionais enfrentam antes de criticar ou cobrar?

Isso não significa que o professor não possa ser questionado, e sim, que a família e a escola precisam estar do mesmo lado: o da aprendizagem e da educação de qualidade. Cada um cumprindo bem o seu papel.

Valorizar é garantir que eles queiram continuar

Infelizmente, o risco de um apagão docente nos próximos anos é real e precisa ser enfrentado. E além de formar novos professores, também precisamos garantir que os profissionais que já estão nas escolas tenham motivos e condições para permanecer.

Como alerta Haroldo Andriguetto Júnior, Doutor em Educação e Presidente do Sinepe/PR “o apagão docente é um risco muito sério para o nosso país e precisa ser enfrentado desde já, tendo em vista que, até 2040, podemos der um déficit de aproximadamente 235 mil professores na Educação Básica”. Segundo Haroldo, quando um professor se aposenta, ou desiste da carreira, o prejuízo é enorme. Não só devido à dificuldade de substituição, como também, pela perda de vínculo e de continuidade do trabalho pedagógico. Tudo isso, traz um impacto negativo para a educação.

O problema é complexo e multifatorial. Por isso, afirma Haroldo, "se quisermos começar a resolver esse problema, devemos ter atenção a alguns aspectos: valorização dos professores, fornecimento de recursos, estrutura, tecnologia e formação continuada". Para concluir, aponta como pilares estruturantes o apoio e aliança sólida da gestão escolar, com as famílias e com a sociedade.

E para fechar...

É preciso parar de romantizar a profissão e dizer que professor só precisa de amor e dedicação. Afinal, ensinar exige conhecimento e preparo, além de muito respeito, remuneração adequada e boas condições de trabalho.

Neste Dia do Professor, deixo aqui meu agradecimento, respeito e admiração a todos os profissionais que, apesar de tantos desafios, continuam transformando vidas por meio da educação.

Feliz Dia do Professor!

Ana Gabriela Simões Borges

Doutora em Educação e Superintendente do Instituto GRPCOM

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