O governador de Nova York, Andrew Cuomo, fala durante uma entrevista coletiva na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) em Wall Street, na cidade de Nova York.
O governador de Nova York, Andrew Cuomo, fala durante uma entrevista coletiva na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) em Wall Street, na cidade de Nova York.| Foto: Johannes EISELE / AFP

De acordo com uma nova pesquisa Axios-Ipsos, mais de 60% dos americanos acreditam que a resposta do governo federal à pandemia não está ajudando. Na verdade, eles dizem que está piorando as coisas.

“Sessenta e dois por cento acreditam que o governo está piorando a recuperação da América, incluindo mais de um em cada três (35%) que dizem que o governo está piorando muito as coisas”, concluiu a pesquisa. “Quando questionados se o governo federal melhorou ou piorou ao lidar com a pandemia, em comparação com março ou abril, uma grande quantidade (46%) disse 'pior'.”

É difícil culpá-los por seu pessimismo. Uma revisão das ações tomadas por legisladores federais, estaduais e locais no ano passado ilumina uma série de erros que levaram a um número maior de mortes e resultaram em consequências indesejadas que continuam a atormentar nossa sociedade.

Eis uma revisão das oito maiores falhas do governo durante a crise Covid-19.

Falha de comunicação e desonestidade

Dado que prevenir a propagação de uma nova doença é uma tarefa virtualmente impossível, era preciso aceitar que algumas pessoas ficariam doentes. A mitigação era a única solução imediata e isso exigia comunicação e informações claras e diretas.

Não foi isso que o povo americano obteve.

Em vez disso, o Centro de Controle de Doenças (CDC) não recomendou o uso de máscaras no início, medida que foi apoiada pelo Dr. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas.

“Não há razão para andar por aí com uma máscara”, disse Fauci em uma entrevista ao 60 Minutes.

Mais tarde, Fauci e funcionários do CDC disseram que as diretrizes visavam evitar a acumulação de suprimentos e, em seguida, insistiram que máscaras deveriam ser usadas para mitigar a disseminação do vírus.

Essa não foi a única confusão. No início, os americanos tinham dificuldade em obter testes ou averiguar informações sobre os sintomas e os protocolos de tratamento. A certa altura, o presidente Trump indicou que usar “desinfetantes” ou irradiar raios ultravioleta de luz no corpo pode ser uma cura. Seus comentários foram seguidos por uma onda de envenenamentos acidentais. Foi o puro caos.

Os americanos também tinham a garantia de que apenas 14 dias seriam necessários para “abaixar a curva” e aqueles que podiam deveriam ficar em casa para dar tempo à comunidade médica para se preparar para a onda de pacientes que se aproximava. Mas 14 dias rapidamente se transformaram em lockdowns por tempo indeterminado – deixando muitos de nossos cidadãos sem emprego e incapazes de pagar contas ou comprar necessidades básicas.

Deve-se notar que nossa comunidade médica estaria mais preparada se o governo não tivesse suprimido informações sobre o vírus em primeiro lugar.

Agora sabemos que os líderes nacionais foram informados sobre a pandemia já em janeiro. Isso significa que o país teve dois meses para se preparar para hospitais lotados, aumentar a produção de roupas de proteção e ventiladores e coordenar e desenvolver métodos de teste.

Em vez disso, eles passaram aqueles meses minimizando a doença, o que impediu as indústrias de obter sinais de mercado valiosos que os teriam estimulado a entrar em ação.

Essa falta de transparência é um dos motivos pelos quais a Covid-19 se politizou desde o início, gerando desconfiança e falta de cooperação entre os estados e nosso povo.

Regulamentações da cidade de Nova York bloquearam o uso de hospitais

A cidade de Nova York, o epicentro original da epidemia no país, estava perdendo quase 800 cidadãos para a Covid-19 por dia em março e abril. As pessoas não conseguiam camas hospitalares, muitas eram enviadas para morrer sem atendimento em hotéis e os corpos eram colocados em caminhões refrigerados porque as pessoas morriam rápido demais para serem ententerradas de maneira adequada.

Em resposta, a cidade gastou US$ 52 milhões em hospitais de transborde... que acabaram atendendo apenas 79 pacientes. Sim, isso mesmo.

Uma razão? A cidade concedeu aos provedores de ambulâncias contratos exclusivos com hospitais públicos (clientelismo!), então quando uma pessoa ligou para o 911 os provedores tiveram que levá-los ao estabelecimento contratado – mesmo se estivesse sobrecarregado e houvesse leitos abertos em outros lugares.

Como resultado, médicos e enfermeiras (alguns pagos com até US$ 2 mil por dia) ficavam brincando em seus telefones em alguns hospitais, enquanto pessoas morriam em hospitais públicos do outro lado da rua.

O livre mercado de testagem foi bloqueado

O governo não apenas deixou de comunicar a necessidade de testes em janeiro, como também trabalhou ativamente para bloquear o desenvolvimento e o processamento de testes em instalações privadas.

Agências dentro do Departamento de Saúde e Serviços Humanos decretaram barreiras regulatórias que impediram laboratórios não governamentais de auxiliar na testagem, mesmo quando o CDC demorou semanas para lançar seu próprio teste defeituoso.

Para participar na testagem, um laboratório comercial ou clínico tinha de completar um longo e árduo processo de inscrição com a Food and Drug Administration para obter "autorização de uso de emergência". Poucos o fizeram.

E assim, o governo desperdiçou um tempo precioso onde testes generalizados e recursos direcionados poderiam ter limitado a propagação da doença.

As vacinas estão atrasadas

Apenas dois dias depois que os cientistas chineses publicaram o código genético do coronavírus, a Moderna desenvolveu uma vacina contra ele – surpreendentemente completando seu desenvolvimento em um único fim de semana.

Isso significa que temos uma vacina para isso desde janeiro de 2020, mas os americanos foram impedidos de acessá-la.

A Food and Drug Administration (FDA) proibiu os "testes de desafio acelerado" do produto (onde os voluntários que tomam a vacina são expostos ao vírus em um laboratório em vez de esperar para ver se o encontram na natureza). Isso resultou em um atraso de quase um ano inteiro e centenas de milhares de mortes enquanto esperávamos pela aprovação.

A vacina já está disponível e o FDA a chamou de "altamente eficaz".

Os EUA ainda estão bloqueando o uso da vacina Oxford-AstraZeneca, que já está sendo usada com sucesso em outros países.

Lockdowns

Uma quantidade farta de pesquisas mostra que lockdowns não evitam mortes.

O distanciamento social e a ventilação dos espaços públicos foram medidas adequadas para combater a propagação da doença (além de testar e direcionar recursos para populações de alto risco) e as empresas teriam implementado medidas razoáveis com uma comunicação adequada. (Na verdade, os dados mostram que os americanos estavam tomando precauções muito antes de seus governadores lhes ordenarem.)

Mas em muitos estados, as autoridades públicas avançaram com medidas agressivas e inconstitucionais que forçaram o fechamento da economia, expulsaram as crianças da escola, separaram famílias e até mesmo impediram as pessoas de passear ou brincar ao ar livre. Como previsto, os efeitos colaterais foram muito piores do que a doença.

As evidências sugerem que a taxa de suicídio disparou, coincidindo com uma epidemia de quadros depressivos que certamente produzirão muito mais mortes por desespero. A violência doméstica aumentou, assim como o número de domicílios que relatam instabilidade alimentar.

Os estudantes americanos, que já ficavam para trás nas pontuações dos testes em comparação com outras nações desenvolvidas, estão perdendo terreno insubstituível em suas atividades educacionais. E a desaceleração econômica que os bloqueios criaram está aumentando a desigualdade de renda e a pobreza (nos Estados Unidos e no mundo).

As consequências dos lockdowns estão apenas começando a serem vistas e certamente seguirão a ter impacto em nossa vida diária e em nossa economia.

Mortes em lares de idosos e relatórios incorretos

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, foi anunciado pela mídia como o herói da pandemia e até recebeu um Emmy e um lucrativo livro por sua atuação como político que se preocupava com seu povo.

Embora o governador Cuomo seja reconhecidamente tranquilo diante das câmeras, o tempo revelou que ele é um líder atroz cujas políticas mataram pessoas de várias maneiras.

No auge da pandemia, a administração de Cuomo forçou asilos a aceitar pacientes doentes – uma resposta provavelmente influenciada por seus hospitais públicos lotados. Como alertaram os especialistas do setor, as casas de saúde não tinham capacidade para abrigar esses pacientes e evitar a propagação da doença em suas instalações, levando a um surto entre as populações vulneráveis que matou idosos em massa.

Para piorar as coisas, o escritório de Cuomo então trabalhou para suprimir o verdadeiro número de mortes em lares de idosos e defendeu uma legislação que evita que as vítimas de suas políticas processem as instituições pela morte de seus entes queridos.

Escolas mantidas como reféns por sindicatos

O senador Rand Paul foi uma dos poucos líderes chamando à razão durante toda essa provação. Ele próprio um médico, Paul começou a resistir aos lockdowns absurdos e ao fechamento de escolas já no verão passado – apontando para uma pesquisa que mostrava que era seguro abrir.

Em uma audiência televisionada, o Dr. Fauci ficou famoso por discutir com o senador Paul sobre essa questão, o que levou a ataques contra Paul de vozes proeminentes na esquerda. Mas, apenas seis meses depois, Fauci estava cantando a melodia de Paul e alegando ter sempre estado no coro.

Era tarde demais. Os sindicatos de professores tomaram o controle em muitos estados e bloquearam a reabertura, e muitas famílias ficaram com uma mixórdia de opções educacionais e sem capacidade de retirar seus dólares de impostos e colocar em outro lugar.

Em contraste, as escolas particulares permaneceram abertas em sua maior parte.

Corrupção da Lei CARES

No verão de 2020, o Congresso aprovou a Lei CARES, um gigante do bem-estar corporativo de US$ 2 trilhões que os legisladores alegaram que estimularia nossa economia, forneceria necessidades básicas para pessoas que perderam o emprego e salvaria pequenas empresas. Mas isso falhou e foi direcionado principalmente para o clientelismo e interesses especiais.

No final das contas, 25% foram para grandes empresas – que foram as menos afetadas pelo lockdown. Apenas US$ 350 bilhões foram destinados a pequenas empresas, e US$ 243 milhões desses "acidentalmente" foram para corporações também.

Além disso, um estudo do Programa de Proteção ao Salário sobre o projeto descobriu que este preservou 2,3 milhões de empregos, com o custo de US$ 224.000 por trabalho! Por outro lado, incentivou muitos a trabalharem em casa – tornando ainda mais difícil a reabertura de empresas.

E então houve a fraude. O governo federal enviou US$ 1,4 bilhão em cheques para pessoas mortas com essa legislação. E a Foundation for Government Accountability estima que US$ 26 bilhões foram gastos em reivindicações fraudulentas – uma quantia igual ao valor total dos benefícios de desemprego pagos em 2019.

Lançamento de vacinas em declive

Embora o país agora tenha três vacinas (o FDA deu luz verde para a vacina da Johnson & Johnson na última quarta-feira), com mais no horizonte, distribuí-las ao público foi um desastre.

Agências federais deram seringas aos hospitais incapazes de extrair a dosagem adequada, fazendo com que muitas vacinas fossem jogadas fora. Outros abandonaram as vacinas por causa de regulamentações estaduais rígidas sobre quem poderia ser vacinado. Quando não conseguiram encontrar um número suficiente de pessoas que atendessem aos critérios, foram forçados a descartar as doses não utilizadas.

Mais uma vez, vemos a burocracia governamental e os regulamentos falhando às pessoas que eles deveriam proteger.

As falhas eram previsíveis

Há uma razão pela qual os proponentes de um governo limitado continuam a soar o alarme sobre a expansão da autoridade. Sabemos que o governo prejudica as pessoas, mesmo quando é feito com boas intenções ou por líderes de quem “gostamos”. E o ano passado certamente destacou isso.

Pode-se presumir que grande parte da política desejava evitar a morte e o desespero no país no ano passado, mas a arrogância em suas próprias habilidades e a fé cega no planejamento central tornaram a pandemia ainda pior do que seria de outra forma.

É importante lembrar que os mesmos regulamentos e políticas que criaram uma devastação em massa no ano passado também criam devastação em menor escala diariamente – tornando os cuidados de saúde mais caros e colocando os tratamentos que salvam vidas fora do alcance.

A esta altura, já deveríamos ter aprendido que o governo não pode nos proteger das duras realidades da vida, nem fará um bom trabalho atendendo às nossas necessidades ou zelando pelos nossos melhores interesses.

Benjamin Franklin disse a famosa frase: "Aqueles que abririam mão de liberdades essenciais para comprar um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança."

É uma citação pertinente para o momento, pois é precisamente isso que a maioria escolheu fazer no ano passado – e foi tudo em vão. O governo, não importa o quão grande seja, não tem a capacidade de nos proteger das inúmeras ameaças do mundo. Na melhor das hipóteses, pode proteger nossas liberdades e nos dar a liberdade de que precisamos para inovar e nos proteger.

A ideia de que as pessoas são mais bem servidas e protegidas quando as decisões são independentes e locais é um conceito que muitos fazem um grande esforço para compreender.

"Para a mente ingênua que pode conceber a ordem apenas como o produto de um arranjo deliberado, pode parecer absurdo que, em condições complexas, a ordem e a adaptação ao desconhecido, pode ser alcançado de forma mais eficaz descentralizando as decisões e que uma divisão de autoridade irá realmente estender a possibilidade de ordem geral", observou o economista F.A. Hayek. “No entanto, essa descentralização realmente leva a que mais informações sejam levadas em consideração”.

Contudo, a visão de Hayek foi confirmada durante a resposta à pandemia. Como outro exemplo, veja a Virgínia Ocidental, um dos estados mais pobres e rurais do país. Esperava-se que eles se debatessem com a distribuição da vacina, mas, em vez disso, lideraram o país. Por quê? Eles descentralizaram o processo de vacinação – eles permitiram que farmácias locais independentes cuidassem da distribuição e acabaram com isso.

A América tentou a rota do grande governo, mas não foi tão bem. Avançando, devemos aprender com esta catástrofe e pressionar pela desregulamentação, pela autoridade governamental limitada e pelo controle local.

A julgar pela nova pesquisa Axios-Ipsos, os americanos podem, finalmente, estar preparados para fazer exatamente isso.

Hannah Cox é uma escritora libertária-conservadora, comentadora e ativista. Ela colabora na Newsmax Insider e no The Washington Examiner.

© 2021 Foundation for Economic Education - FEE. Publicado com permissão. Original em inglês.
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