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O governo da Argentina, do presidente Javier Milei, anunciou nesta terça-feira (15) que convocou os embaixadores do Reino Unido e de Israel em Buenos Aires para entregar notas formais de protesto, depois que o governo britânico publicou ontem um guia para interessados em investir nas Ilhas Malvinas, disputadas por Buenos Aires e Londres.
“A Chancelaria argentina manifesta sua mais veemente rejeição à recente publicação do guia britânico ‘Fazendo negócios com as Ilhas Malvinas’, por meio do qual o Reino Unido pretende promover atividades comerciais e de exploração de hidrocarbonetos ilegítimas nas Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul e nos espaços marítimos adjacentes”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores argentino em comunicado.
“A República Argentina reafirma categoricamente que os referidos arquipélagos e os respectivos espaços marítimos e insulares são parte integrante de seu território nacional e encontram-se ilegitimamente ocupados pelo Reino Unido”, acrescentou.
No início do mês, Milei anunciou sanções a empresas que explorarem recursos naturais nas Ilhas Malvinas, além da construção de uma base naval integrada na província da Terra do Fogo para aumentar a pressão militar de Buenos Aires nessa disputa.
Na mira do presidente argentino, está o projeto Sea Lion, para a exploração de uma reserva de petróleo localizada 220 km ao norte do arquipélago controlado pelo Reino Unido, mas que a Argentina reivindica como seu território.
O projeto, que deve começar a extrair petróleo em 2028, é desenvolvido pela empresa britânica Rockhopper e pela israelense Navitas.
“Após a pretensa ‘decisão final de investimento’ por parte das concessionárias ilegítimas, a Chancelaria argentina convocou os embaixadores do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e do Estado de Israel para entregar pessoalmente notas de protesto formal”, disse o governo argentino nesta terça-feira.
“Nessas reuniões, repudiou-se enfaticamente o avanço do projeto ‘Sea Lion’ e a totalidade dos atos conexos, incluindo a emissão de normas ilegítimas, as pretensas licenças unilaterais, as convocações para contratação de fornecedores e os guias ou incentivos comerciais por parte do governo britânico”, acrescentou.
Mais cedo nesta terça-feira, o governo do Reino Unido havia divulgado um guia no qual manifestou “apoio a toda atividade econômica legítima nas Ilhas Falkland [como Londres chama o arquipélago]” e “ver com bons olhos o interesse e o envolvimento contínuos do setor privado nas ilhas”.
No texto, Londres afirmou que “algumas empresas e indivíduos podem receber correspondência das autoridades argentinas referente às suas atividades nas Ilhas Falkland ou relacionadas a elas”.
“A posição do governo do Reino Unido é a de que a Argentina não tem o direito de exercer jurisdição sobre as Ilhas Falkland nem de aplicar sua legislação interna nas ilhas, tampouco em relação a quaisquer empresas ou indivíduos que realizem negócios nas ilhas ou a elas relacionados”, acrescentou o comunicado.
O governo britânico afirmou ainda que a Argentina “já adotou anteriormente medidas, no âmbito de sua legislação interna, com o objetivo de dissuadir empresas e indivíduos de exercerem atividades comerciais legítimas e legais nas Ilhas Falkland ou relacionadas a elas”, mas que isso não impediu investimentos no arquipélago.
A disputa pelas ilhas no Atlântico Sul motivou uma guerra entre Argentina e Reino Unido em 1982, vencida pelos britânicos.
A nova ofensiva de Milei pelo arquipélago veio dias depois de o presidente americano, Donald Trump, ter falado sobre a possibilidade de reavaliar a posição dos EUA sobre a disputa de Argentina e Reino Unido pelas Malvinas, que atualmente é de neutralidade, mas reconhecendo o controle britânico sobre as ilhas.







