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Não me considero o maior fã de Cármen Lúcia. Longe disso! Na verdade, considero a ministra... fraca. Uma maria-vai-com-as-outras. Suscetível à opinião pública. Intelectualmente cafona com suas citações de Clarice Lispector. Sem falar nas incoerências convenientes dos últimos anos. Não, não esqueci que Cármen Lúcia é a mulher que criou o Estado de exceção excepcionalíssimo, com prazo para terminar – mas que não terminou nunca. Ainda assim, te perdoo, Cármen Lúcia. Te perdoo.
Cármen Lúcia que, na sessão histórica (ou seria histérica?) do dia 15 de setembro de 2026, passou a maior parte do tempo quietinha. Só observando o espetáculo deprimente e algo macabro de seus pares, sobretudo do espalhafatoso Flávio Dino. Ao se manifestar, porém, ela fez o inimaginável: pediu desculpas ao povo brasileiro. Se entendi bem, Cármen Lúcia pediu desculpas até por ter “experimentado a perdição” do poder. E aqui a gente pode entrar naquela discussão estéril quanto à sinceridade do pedido de perdão e do arrependimento da ministra. Ou melhor, não pode.
Estabilidade
A ministra Cármen Lúcia foi a única que, na sessão escatológica de ontem, tinha em mente a instituição da qual faz parte: o STF. Uma instituição necessária, mas que ruiu e, para mim, é uma questão de tempo até desabar sobre a cabeça dos ministros. Só ela demonstrou entender que a função do Supremo Tribunal Federal é fazer Justiça, essa mesma, com jota maiúsculo, e assim garantir a estabilidade do país. Uma estabilidade que se traduz em normalidade e paz. Só ela entendeu (não sei se sozinha ou se a Alcione lhe soprou no ouvido) que o Supremo tal qual o conhecemos acabou. Já era.
Diante do pedido de perdão de Cármen Lúcia, a totalidade das reações que vi no tumultuado after-party das redes sociais foi de desprezo, quando não de rejeição. O que é compreensível. Afinal, o pedido de perdão chega com alguns anos de atraso e, pior!, depois de horas e horas de um blábláblá que não sei se chamo de patifaria ou de pornografia. Só sei que todos estávamos de saco cheio. Horas e horas consagradas à mentira e ao mal. Em todo caso (e para o bem da minha sanidade mental), escolhi acreditar. E por isso te perdoo, Carminha.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



