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Oficiais da Cruz Vermelha põem corpos em um veículo em Kano, no norte do país | REUTERS/Stringer
Oficiais da Cruz Vermelha põem corpos em um veículo em Kano, no norte do país| Foto: REUTERS/Stringer

Subiu para pelo menos 160 o número de mortos em ataques coordenados com bombas contra as forças de segurança e tiroteios na Nigéria, na sexta-feira (20). Os ataques provocaram o caos em Kano, a segunda maior cidade da Nigéria, cujas ruas estavam cheias de cadáveres neste sábado (21).

Um funcionário do principal necrotério de Kano indicou à AFP que 162 corpos chegaram ao local depois do ataque de sexta-feira à noite e estimou que o registro pode aumentar. "Este número pode mudar porque continuamos a receber", acrescentou esta fonte que pediu para não ser identificada. Um registro anterior indicava 121 mortos.

A série de ataques com bombas, cuja autoria foi assumida pela facção denominada Boko Haram, deixaram muitos mortos e feridos no norte do país, afirmou um porta-voz da cruz vermelha mais cedo neste sábado, enquanto disparos de artilharia ainda ecoavam em torno de algumas áreas de Kano.

Soldados e policiais invadiram as ruas da cidade neste sábado. Kano continua a ser um importante centro político e religioso muçulmano no norte da Nigéria. Foi imposto um toque de recolher de 24 horas na cidade de maioria muçulmana.

Oito delegacias de polícia foram atacadas em Kano na noite de sexta-feira, além de um prédio do serviço secreto, escritórios de imigração ou residências. Foram ouvidas cerca de 20 explosões na cidade, enquanto um suicida atacava uma delegacia. O carro-bomba explodiu em frente à delegacia depois que o atacante fugiu e a polícia o matou a tiros, segundo fontes policiais.

Foram ouvidos disparos em várias regiões. Um jornalista da televisão local foi atingido e morreu quando cobria os atos de violência. Acredita-se que ao menos 11 oficiais de polícia estão entre os mortos.

Funcionários do hospital Murtala Muhammed Specialist, em Kano, o maior da cidade, se recusaram a conversar com jornalistas. No entanto, repórteres da Associated Press contaram mais de 100 corpos no necrotério do hospital e viram os registros durante visita ao local neste sábado. Mas pode haver mais mortos em outros hospitais e clínicas da cidade.

"Estou caminhando pelas ruas de meu bairro e encontrei 16 cadáveres no chão, entre eles de seis policiais entre minha casa e a delegacia", declarou à AFP Naziru Muhammad, um morador de Kano. Segundo uma fonte policial que pediu anonimato, o ataque a uma delegacia resultou na morte de dois policiais, um membro do exército e uma menina. Neste sábado começaram a ser obtidos detalhes dos atentados, dos quais aparentemente participaram pelo menos dois suicidas.

Em um comunicado emitido na sexta-feira, o porta-voz da polícia federal, Olusola Amore, disse que o ataque tinha como alvo cinco prédios da polícia, dois escritórios de imigração e o quartel-general do Serviço de Segurança do Estado, a polícia secreta da Nigéria. Duas explosões atingiram a cidade de Yenagoa, no estado natal de presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, mas não foram reportadas vítimas.

Grupo islâmico

O principal jornal do norte da Nigéria indicou em sua edição deste sábado que um suposto porta-voz do Boko Haram havia reivindicado os atentados, afirmando que era uma resposta à negativa das autoridades de libertar seus membros detidos. Muitos ataques deste tipo no norte da Nigéria foram atribuídos ao Boko Haram.

Estes ataques, depois que Kano havia escapado até agora da onda de violência atribuída ao Boko Haram nos últimos meses, fizeram com que os habitantes fugissem de suas casas por medo do futuro.

O presidente Goodluck Jonathan declarou o estado de emergência no dia 31 de dezembro em setores de quatro estados onde foram registrados ataques que foram atribuídos ao Boko Haram. Kano não estava incluída no estado de emergência e não havia sido afetada por nenhum dos últimos ataques importantes, que, em sua maioria, ocorreram no nordeste do país.

A Nigéria, o país mais povoado da África (cerca de 167 milhões de habitantes) e seu maior produtor de petróleo, está dividida entre o norte, majoritariamente muçulmano, e o sul, predominantemente cristão.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, condenou os atentados neste sábado. Seu colega britânico William Hague se disse "chocado e horrorizado com os ataques de grande escala em Kano, na Nigéria," e a França condenou "com a maior firmeza" essa série de ataques.

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