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Para entender

China oficializa novo arcebispo sob normas de acordo com o Vaticano

Interior de uma igreja católica em um momento de oração. (Foto: Fábio Frustaci/EFE)

O padre Andrew Ding Yang foi ordenado arcebispo de Chongqing nesta terça-feira, 8 de setembro, ocupando uma sede que estava vacante há mais de duas décadas no sudoeste da China. A cerimônia representa a oitava ordenação episcopal do pontificado de Leão XIV realizada conforme os termos do acordo bilateral entre Pequim e a Santa Sé, que estabelece regras conjuntas para a nomeação de bispos no país.

Quem é o novo arcebispo Andrew Ding Yang e qual sua trajetória?

Nascido em 1981 em Chongqing, Andrew Ding Yang possui uma sólida formação acadêmica e pastoral. Ele estudou no seminário de Pequim e foi ordenado sacerdote em 2007. Sua trajetória inclui estudos teológicos na Universidade de São José, em Macau, e passagens por Roma, onde estudou na Pontifícia Universidade da Santa Cruz. Antes de ser escolhido pelo Papa Leão XIV para liderar a Arquidiocese de Chongqing, ele atuou como formador no Seminário Nacional da China e serviu como pároco em diversas comunidades, acumulando experiência que fundamentou sua ascensão ao episcopado.

Como funciona o acordo entre a China e o Vaticano para nomear bispos?

O Acordo Provisório, assinado originalmente em 2018 e renovado recentemente até 2028, é um mecanismo diplomático para resolver a divisão entre os católicos chineses. Antes, a Igreja se dividia entre a Associação Patriótica, controlada pelo governo, e a Igreja clandestina, fiel apenas ao Papa. Pelo acordo, o processo de seleção é compartilhado: o governo chinês propõe candidatos ou participa da escolha, mas o Papa detém a palavra final, com poder de veto. O objetivo é garantir que os novos líderes religiosos sejam reconhecidos tanto pelas autoridades civis quanto pela Santa Sé.

Qual a relevância desta ordenação para as relações diplomáticas?

A ordenação de Ding Yang é um sinal da continuidade do diálogo entre Roma e Pequim, Estados que não possuem relações diplomáticas oficiais desde 1951. O processo transcorreu inteiramente sob a supervisão do atual pontífice, reforçando a validade dos mecanismos de cooperação. Mesmo com episódios de nomeações unilaterais por parte da China durante períodos de sede vacante no Vaticano, o anúncio oficial da Santa Sé sobre Ding Yang indica um esforço para manter o equilíbrio e a regularização eclesiástica de bispos que antes atuavam na clandestinidade sem o aval do Estado.

O que acontece com as dioceses e bispos que não eram reconhecidos?

O Vaticano tem realizado ajustes territoriais e administrativos para integrar a Igreja na China. Recentemente, o Papa Leão XIV suprimiu dioceses antigas e criou novas circunscrições, como a de Zhangjiakou, para adequar a estrutura religiosa à realidade civil chinesa. Bispos que pertenciam à Igreja clandestina estão sendo gradualmente reconhecidos pelo governo comunista após a aprovação pontifícia. Aqueles com idade avançada, acima de 75 anos, recebem o status de bispos eméritos, o que permite uma transição pacífica e organizada na liderança das comunidades católicas locais.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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