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Elon Musk fala sobre o projeto Starlink em videoconferência durante evento em Barcelona, em junho deste ano
Elon Musk fala sobre o projeto Starlink em videoconferência durante evento em Barcelona, em junho deste ano| Foto: EFE/Alejandro García

Elon Musk, o homem mais rico do mundo, é o pivô do mais recente desentendimento diplomático entre China e Estados Unidos.

Pequim enviou no início de dezembro uma reclamação ao Comitê para Uso Pacífico do Espaço Sideral das Nações Unidas para reclamar que a estação espacial Tiangong, menina dos olhos do programa espacial chinês, teve que realizar “manobras evasivas” para “evitar uma possível colisão” com satélites Starlink lançados pela SpaceX, uma das empresas de Musk.

Segundo informações da Associated Press, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Zhao Lijian, argumentou esta semana que colisões quase ocorreram em 1º de julho e 21 de outubro, colocando em risco a tripulação de três membros da estação espacial, e exigiu que Washington “tome medidas imediatas para evitar que tais incidentes voltem a acontecer”.

A Starlink é um projeto de Musk para o estabelecimento de uma constelação de satélites, com o objetivo de fornecer internet de alta velocidade a todo o mundo. Mais de 1,9 mil satélites foram lançados pela SpaceX desde o início do projeto, em 2019, e o número deverá chegar a cerca de 42 mil em órbita nos próximos anos.

No contexto da Guerra Fria 2.0, a queixa chinesa não pode ser entendida como apenas uma preocupação com a segurança da sua estação espacial – diz respeito também à disputa militar com os Estados Unidos.

“Se os satélites de Musk ocupam grandes porções das órbitas [próximas à Terra e sincronizadas com o sol], haverá poucas oportunidades para outras nações enviarem seus próprios satélites”, afirmou Song Zhongping, ex-instrutor das Forças Armadas chinesas, em entrevista ao South China Morning Post.

“Os satélites Starlink têm potencial para servir às forças dos Estados Unidos durante períodos de guerra, e o poder de ter milhares de olhos no céu nunca pode ser subestimado”, acrescentou.

O projeto de Musk não vem sendo criticado apenas pela China. Recentemente, o diretor-executivo da Agência Espacial Europeia, Josef Aschbacher, acusou o empresário sul-africano naturalizado americano de estar “ditando as regras” para uma nova economia espacial comercial.

Em resposta, Musk alegou ao Financial Times que o espaço é “enorme” e que seus satélites são muito pequenos. “Não é uma situação em que estamos efetivamente bloqueando os outros de alguma forma. Não impedimos ninguém de fazer nada, nem planejamos fazer isso”, argumentou.

Independentemente de disputas comerciais e militares, especialistas cobram uma regulação do lançamento de satélites para evitar que o acúmulo de lixo espacial ameace a segurança de telecomunicações e tripulações espaciais.

Em novembro, a Rússia confirmou um teste com míssil antissatélite, que atingiu um aparelho espacial inoperante russo que estava em órbita desde 1982. Em resposta, os Estados Unidos acusaram a Rússia de ter colocado em perigo a tripulação da Estação Espacial Internacional (EEI) e informaram que o teste gerou centenas de milhares de fragmentos orbitais menores, que representarão um risco a operações espaciais durante anos.

“O espaço pode ser grande, mas como os satélites estão em áreas bem específicas, (essas áreas) estão ficando lotadas. Certamente, o recente teste antissatélite russo mostrou como essas regiões podem estar superlotadas”, afirmou Marla Geha, professora de astronomia na Faculdade de Artes e Ciências de Yale, em entrevista ao site da universidade.

“Além da coleta de lixo espacial, acho que o verdadeiro caminho a seguir é a regulamentação. Precisamos fazer alguns pequenos ajustes agora - como colocar um foguete em cada satélite para tirá-lo de órbita de maneira responsável - para que não haja um grande problema em cinco ou dez anos”, complementou.

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