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Conflito na fronteira

Como foi o confronto entre indianos e chineses e outras perguntas sobre a disputa territorial na Ásia

  • 17/06/2020 19:40
Soldados da Força de Segurança de Fronteira da Índia vigiam uma estrada que vai até Leh, na fronteira com a China, em Gagangir, 17 de junho de 2020
Soldados da Força de Segurança de Fronteira da Índia vigiam uma estrada que vai até Leh, na fronteira com a China, em Gagangir, 17 de junho de 2020| Foto: Tauseef MUSTAFA / AFP

Uma antiga disputa de fronteira entre as potências nucleares Índia e China se tornou mortal pela primeira vez em mais de quatro décadas, quando pelo menos 20 soldados indianos morreram nesta semana em um confronto entre militares dos dois países.

Entenda as causas da escalada do conflito e as razões históricas dessa disputa territorial.

O que aconteceu na noite de 15 de junho?

O confronto começou na noite de segunda-feira (15), no vale de Galwan, incrustado na fria região montanhosa do Himalaia. Ambos os lados garantem que não houve disparo de armas de fogo, mas um brutal confronto corporal aconteceu.

Fontes do lado indiano que ouviram os relatos de sobreviventes contaram que soldados chineses armados com barras de ferro e paus enrolados com arame farpado atacaram militares indianos. Alguns soldados teriam morrido depois de cair montanha abaixo. A luta durou por mais de cinco horas, até o início da manhã de terça. Relatos da imprensa internacional dão conta que, em determinado momento, cerca de 600 homens estavam envolvidos no conflito, lutando com pedras, barras de ferro e armas improvisadas. Jornalistas indianos, por sua vez, afirmam que um grupo de 300 soldados chineses atacou 50 militares indianos.

Inicialmente o exército da Índia havia informado a morte de três militares, inclusive o coronel que liderava a brigada indiana que estava no local. Mas no final de terça-feira, o número de vítimas do lado indiano havia subido para 20, depois que 17 soldados não resistiram aos ferimentos da batalha em altitude elevada e temperatura abaixo de zero.

A China não informou o número de mortes, mas deixou subentendido que o exército chinês também sofreu baixas. A Índia, citando a inteligência dos Estados Unidos, afirmou à imprensa local que 35 soldados chineses morreram ou ficaram gravemente feridos, segundo noticiou o Times of India.

Por que eles brigaram?

Houve um desentendimento entre os militares chineses e indianos no ponto de patrulha 14 da Linha de Controle Real, que divide os dois países. Segundo Nova Délhi, soldados indianos encontraram tropas chinesas neste local. Eles acreditavam que tinha ficado acordado, em 6 de junho, que o exército chinês sairia de lá, já que, na percepção indiana, a área pertence à Índia. O canal News18 relatou que as tropas indianas, tendo sido solicitadas para garantir a retirada dos chineses, desmontaram uma tenda do exército rival. Os chineses se recusaram a sair de lá, a tenda foi queimada e houve algumas lutas. Isso teria ocorrido no domingo. No dia seguinte, quando as mortes aconteceram, os chineses teriam voltado ao local em maior número.

A China, embora não tenha apresentado uma versão detalhada sobre o que ocorreu, disse que os militares indianos cruzaram três vezes a fronteira, ingressando em território chinês. Para os chineses, o Vale Galwan pertence à China. Portanto, as autoridades chinesas culpam a Índia pelas fatalidades ocorridas.

Qual é o pano de fundo deste confronto?

O que aconteceu neste lugar remoto na noite de segunda-feira preocupou governos e atraiu a atenção da imprensa por ser a primeira vez desde 1975 que um conflito entre Índia e China ao longo da Linha de Controle Real termina com militares mortos. O incidente foi o mais mortal desde 1967, quando as nações entraram em confronto em Nathu La, uma passagem entre as montanhas do Himalaia que conecta o estado indiano de Sikkim à região autônoma da China, no Tibete. Naquela situação, quase 100 soldados morreram.

Veículos do Exército da Índia passam por estrada perto da passagem pela montanha Chang La na região de Ladakh no norte da Índia, no estado de Jammu e Caxemira, perto da fronteira com a China, 17 de junho de 2020
Veículos do Exército da Índia passam por estrada perto da passagem pela montanha Chang La na região de Ladakh no norte da Índia, no estado de Jammu e Caxemira, perto da fronteira com a China, 17 de junho de 2020| AFP

Portanto é claro que os problemas fronteiriços entre China e Índia não são de agora. Em 1962 houve uma guerra na região do Himalaia entre os dois gigantes asiáticos, que terminou com o estabelecimento da Linha de Controle Atual. Porém, os dois lados não conseguiram concordar onde exatamente esta linha passa. Algumas áreas que a Índia considerava estarem do seu lado da fronteira, eventualmente acabaram sendo ocupadas por tropas chinesas. Por mais duas décadas houve discussões, mas nunca um entendimento, e isso gerou alguns encontros violentos na fronteira na última década, geralmente com os militares chineses e indianos atirando pedras uns nos outros ou trocando socos.

Índia e China não conseguem concordar nem com a extensão da Linha de Controle Real. Para os indianos ela tem 3.488 quilômetros de extensão e para os chineses apenas 2.000 quilômetros. A Índia reivindica 38 mil quilômetros quadrados do território de Aksai Chin, atualmente controlado pela China. A China, por sua vez, reivindica mais de 90 mil quilômetros quadrados, inclusive o território de Arunachal Pradesh, no extremo nordeste da Índia.

Por que o conflito escalou agora?

A tensão aumentou recentemente com provocações vindas dos dois lados. Ambos os países passaram a construir infraestrutura nas regiões autônomas sob seus domínios. A Índia, por exemplo, construiu aeródromos e estradas em Ladakh, uma delas bem perto do Vale Galwan. A China também ampliou uma de suas rodovias para dentro de uma das áreas em disputa territorial em 2017 - além do Vale Galwan, há outros pontos de tensão ao longo da Linha de Controle Real, como o Lago Pangong, uma grande atração turística da região.

Os dois países também passaram a aumentar a presença militar ao longo da fronteira. No fim de abril, a China enviou milhares de soldados para a região, junto com veículos e artilharia. Um ex-general indiano afirmou que nas últimas semanas a China invadiu até 40 quilômetros quadrados de território indiano.

No começo de maio, houve brigas entre militares indianos e chineses e alguns ficaram feridos. Já no começo de junho, autoridades dos dois países se encontraram em uma tentativa de diminuir as tensões na fronteira, mas pelo que aconteceu nesta segunda-feira, os esforços foram em vão.

Para piorar a situação, a China realizou exercícios militares na região do Tibete recentemente, "visando a destruição de importantes centros hostis em uma região montanhosa de alta altitude". O anúncio, feito na imprensa estatal chinesa na terça-feira, dá a entender que o exército chinês está se preparando para um eventual confronto em terreno semelhante.

Qual foi a reação dos governos?

Ambos falam em resolver o assunto pacificamente, mas fizeram ameaças veladas.

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Li, culpou a Índia pelo encontro fatal e disse que o país vizinho "não deve fazer cálculos errados sobre a situação" e que "não deve subestimar a determinação da China em manter sua integridade territorial''.

"A China novamente expressa forte protesto à Índia e exige que o lado indiano inicie uma investigação completa … e interrompa todas as ações provocativas para garantir que as mesmas coisas não voltem a acontecer", afirmou Wang nesta quarta-feira, alegando que as tropas indianas ultrapassaram a Linha do Controle Real, que demarca a fronteira entre os dois gigantes asiáticos na região. Logo depois ele afirmou que "ambos os lados devem resolver a disputa através do diálogo e manter a fronteira segura e tranquila".

O ministro de Relações Exteriores indiano, Subrahmanyam Jaishankar, disse que as ações da China no Vale de Galwan foram "premeditadas" e "diretamente responsáveis por resultar em violência e baixas". Em comunicado divulgado após uma conversa por telefone entre os dois ministros, Jaishankar disse que o incidente terá "sérias repercussões" para as relações entre os dois países, mas ressaltou que os dois lados estão comprometidos a esfriar as tensões na região remota.

Apoiadores do partido indiano BJP, de Narendra Modi, queimam cartazes com a imagem do presidente chinês Xi Jinping em protesto anti-China em Allahabad, 17 de junho de 2020
Apoiadores do partido indiano BJP, de Narendra Modi, queimam cartazes com a imagem do presidente chinês Xi Jinping em protesto anti-China em Allahabad, 17 de junho de 2020| SANJAY KANOJIA / AFP

Em um discurso televisionado nesta quarta-feira (17), o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, disse que seu governo não quer lutar, mas que está preparado caso seja necessário.

"Eu gostaria de garantir ao país que o sacrifício de nossos soldados não será em vão ... Para nós, a unidade e a integridade do país são as mais importantes. A Índia quer paz, mas é capaz de dar uma resposta se for provocada", disse Modi. O primeiro-ministro vinha sendo pressionado para dar uma declaração sobre o caso. Protestos ocorreram na Índia nesta terça-feira, com manifestantes queimando imagens do presidente Xi Jinping e da bandeira nacional da China.

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Comentários [ 2 ]

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  • J

    Jorge Dias

    ± 75 dias

    A China tem que baixar a bola.

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    • M

      Maquiavel

      ± 75 dias

      Esta na hora do mundo cortar ás asas da chinesada comunista maldita que estão se achando poderosos e os donos do mundo! Sempre que possível boicote produtos, digo, lixo chineses!

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