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O partido Juntos pelo Peru, do candidato derrotado no segundo turno da eleição presidencial, Roberto Sánchez, protocolou na Procuradoria-Geral do país uma denúncia criminal contra a vencedora da disputa, Keiko Fujimori, o presidente peruano, José María Balcázar, e outras autoridades, alegando fraude no pleito.
Segundo informações do site Infobae, o documento apresentado por Pablo Salas, representante legal suplente do Juntos pelo Peru na região de Arequipa, cita também o ministro das Relações Exteriores do Peru, Carlos Pareja, o ex-chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe, na sigla em espanhol) Piero Corvetto, o atual chefe do órgão eleitoral peruano, Bernardo Pachas, e o presidente do Júri Nacional Eleitoral (JNE), Roberto Burneo.
A denúncia alega que houve uma “operação sofisticada executada a partir dos mais altos escalões do poder político e eleitoral”, com o objetivo de “distorcer, alterar e manipular os resultados”, mas sem apresentar provas.
Segundo o Infobae, o documento afirma que um decreto de 2025, que reajustou salários de funcionários do serviço diplomático, teria sido um “ato indicativo de cooptação econômica e compra da lealdade funcional de autoridades que, por força de lei, eram responsáveis pela custódia e apuração dos votos no exterior”.
Salas também argumentou que a “demissão abrupta de embaixadores estratégicos” criou um “vazio deliberado na supervisão hierárquica de alto nível”, deixando materiais eleitorais e seções de votação sob o controle de “funcionários interinos de escalão inferior, desprovidos da capacidade logística e da independência institucional necessárias para resistir a pressões”.
O Infobae afirmou, porém, que os embaixadores citados na denúncia permanecem nos seus cargos, aguardando uma definição sobre quando será seu último dia de serviço.
Outro ponto da denúncia faz referência a um software usado durante o processo eleitoral: Salas alegou que Corvetto “impôs o uso do aplicativo” apesar de ter “pleno conhecimento de que seu código-fonte apresentava 13 vulnerabilidades críticas”, o que teria levado a uma “abstenção eleitoral em massa nas áreas mais densamente povoadas”.
Por fim, a denúncia alega que o Onpe “flexibilizou e afrouxou ilegalmente os protocolos de apuração de votos no exterior, limitando a participação efetiva de representantes de partidos políticos e eliminando mecanismos de controle e fiscalização cidadã”, e uma “interferência sem precedentes da Embaixada dos Estados Unidos em Lima, liderada pelo embaixador Bernie Navarro”, que teria agido “como um agente político direto, pressionando as instituições democráticas peruanas para favorecer um resultado específico”.
Nenhum dos citados se manifestou ainda sobre a denúncia. Na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores do Peru divulgou um comunicado para negar que tenha havido qualquer irregularidade na votação no exterior.
Roberto Sánchez tentou anular os votos de Fujimori no exterior, recorte onde a conservadora teve grande vantagem na apuração do segundo turno, mas a Justiça Eleitoral do Peru negou os pedidos do esquerdista. O candidato e o Juntos pelo Peru afirmaram que não reconhecerão o resultado da eleição.
Esta semana, Fujimori atingiu uma vantagem irreversível na apuração do segundo turno, realizado no dia 7, mas sua vitória ainda não foi proclamada pelo Onpe porque ainda restam 111 atas de votação sendo revistas pela Justiça Eleitoral por terem apresentado inconsistências.
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