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Vídeo| Foto: Reprodução RPC TV

As pressões internacionais não impediram que o Exército de Mianmar voltasse a usar a violência nas reações aos protestos contra o governo militar do país. Mais de 800 monges foram detidos durante batidas realizadas na noite de quarta-feira e na madrugada desta quinta em quatro mosteiros de Rangun. Em novas manifestações, ao menos dez pessoas morreram, entre elas um monge e um cidadão japonês, possivelmente jornalista.

Em meio ao caos, o governo de Mianmar aceitou receber Ibrahim Gambari, representante especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que foi enviado ao país para avaliar sua crise política.

A principal avenida de Rangun foi esvaziada por militares, que circulam em tanques e abriram fogo com armas automáticas. Enquanto o Exército disparava contra a multidão e lançava bombas de gás lacrimogêneo, pessoas corriam pelas ruas da antiga capital do país - tomadas pela fumaça negra das barreiras montadas pelos manifestantes, liderados pelos religiosos.

Fontes do partido de oposição Liga Nacional para a Democracia (LND) informaram que o seu porta-voz, Mynt Thein, também foi detido. Ele é um dos homens de confiança de Aung San Suu Kyi, líder oposicionista e Prêmio Nobel da Paz. Acusada pelas autoridades de incitar os protestos, Suu Kyi, que vivia em prisão domiciliar desde 2003, foi levada na quarta-feira para a prisão de segurança máxima de Insein, nos arredores de Rangun.

Dezenas de estrangeiros foram expulsos de Mianmar nas últimas semanas por observar ou fotografar as grandes manifestações contra a Junta Militar. Nesta quinta-feira, um destacamento militar entrou no Hotel Traders, no centro de Rangun, revistou quarto a quarto em busca de vários jornalistas estrangeiros que entraram no país com visto de turista.

O presidente dos EUA, George W. Bush, encontrou-se com o chanceler chinês, Yang Jiechi, nesta quinta-feira e expressou sua preocupação sobre Mianmar.

- O presidente Bush agradeceu a ajuda do ministro Yang para facilitar a visita do enviado especial da ONU a Mianmar - disse o porta-voz da Casa Branca Gordon Johndroe. - O presidente Bush expressou sua preocupação com o povo birmanês e pediu que a China use sua influência para fazer a transição pacifíca de Mianmar à democracia - acrescentou.

Em reunião do Conselho, a União Européia e os Estados Unidos também tentaram estabelecer novas sanções ao país, conforme anunciado pelo presidente americano George W. Bush na abertura da Assembléia Geral da ONU. Mas a medida foi rejeitada pela China, que tem poder de veto no órgão mais importante das Nações Unidas.

- Pensamos que sanções seriam inúteis - declarou embaixador da China na ONU, Wang Guangya.

A China é o principal parceiro de Mianmar. O país desperta atenção dos vizinhos por ser rico em recursos naturais e energéticos, além de ter uma localização estratégica.

Outras das principais potências mundiais também ajudam a impedir a adoção de sanções maiores contra o país. Em janeiro, China e Rússia, que têm relações amistosas com as autoridades birmanesas, bloquearam uma resolução da ONU que exigia o fim da perseguição de minorias e opositores e a adoção de passos rumo à democracia.

Monges e estudantes anunciam novos protestos em todo o país

Na quarta-feira, cerca de 200 monges foram detidos quando os militares atacaram dois templos no centro de Rangun. Os outros 600 presos são dos mosteiros de Maha Bawdi Pariyatti e Ngwe Kyaryan, na periferia da maior cidade de Mianmar.

As manifestações foram reprimidas com violência na quarta-feira, quando cinco pessoas, entre elas três monges, foram mortas a tiros ou por causa dos golpes que receberam das forças de segurança na cidade de Rangun, a maior do país.

O protesto da quarta-feira reuniu cerca de 100 mil pessoas, que exigiam a democratização de Mianmar. Em um boletim oficial divulgado à noite, o governo admitiu apenas que uma pessoa morreu e três foram feridas.

Dezenas de pessoas acompanham os protestos liderados pelos monges em Rangun, Mianmar - ReutersApós os incidentes, um comunicado conjunto emitido pela Associação de Todos os Monges Budistas de Mianmar e pela Geração de Estudantes de 88 anunciou novas manifestações em Rangun e outras cidades do país. Nas principais cidades, está em vigor desde terça-feira o toque de recolher noturno. Além disso, assembléias e reuniões de mais de cinco pessoas estão proibidas.

Alguns birmaneses temem a repetição do massacre de 1990, quando militares ocuparam templos budistas na cidade de Mandalay e detiveram milhares que boicotavam as doações do Exército em resposta às tentativas do regime de controlar a religião. Cerca de 3.000 pessoas foram mortas.

Desta vez, os protestos começaram após o aumento dos preços do petróleo, que tiveram impacto sobre o custo de vida. As manifestações tornaram-se mais intensas há 10 dias, depois de forças oficiais reagirem com violência às ações de monges no interior do país.

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