
Centenas de manifestantes formaram uma cadeia humana nesta quarta-feira (11), da Casa Branca à Corte Suprema, para protestar contra os dez anos de existência da prisão de Guantánamo, apesar das promessas de fechamento, feitas pelo presidente Barack Obama.
"Dez anos bastam", gritavam os manifestantes, em meio à chuva gelada, muitos deles vestidos com os uniformes laranja e com sacos pretos na cabeça, símbolos do centro de detenção americano, ou levavam uma réplica da coroa da estátua da Liberdade.
"Estamos aqui com nossa cólera, nossa energia e com nossa esperança, para pedir a Obama e à Corte Suprema que fechem Guantánamo", disse Frida Berrigan, do grupo Witness Against Torture, um dos organizadores da manifestação.
Diante da Casa Branca, manifestantes com uniformes militares faziam uma espécie de mímica para denunciar a violência praticada contra os detentos. Outros andavam em filas, como prisioneiros submissos. Alguns colaram nas costas fotos dos detidos mortos em Guantánamo.
Outros protestos
"Houve mais mortos em Guantánamo do que detidos julgados", destacou Vincent Warren, diretor do Centro para os Direitos Constitucionais (CSIS), um outro organizador. Oito presos morreram e seis foram levados à justiça.
"É um triste dia", declarou John Hutson, ex-juiz militar que se manteve "orgulhosamente atrás do presidente" Obama, quando ele assinou o decreto de fechamento da prisão, em 2009.
"Três anos após, no 10º aniversário de sua abertura, Guantánamo permanece como uma mancha em nossos esforços para pôr fim ao terrorismo e para promover o direito", acrescentou este contra-almirante da reserva da Marinha, durante entrevista à imprensa.
No dia 11 de janeiro de 2002, 20 detidos vindos do Afeganistão ficaram presos numas espécies de cárceres a céu aberto na base naval americana que Washington aluga a Cuba, como parte de um tratado americano-cubano de 1903.
Hoje, 171 homens permanecem ainda em seus cárceres de um total de 779 que estiveram presos aí, a maior parte sem acusação formal nem julgamento; 89 deles são passíveis de serem "libertados" pelas autoridades militares, mas seu retorno aos países de origem é impedido por uma lei aprovada no Congresso.
A Anistia International publicou um relatório sobre "uma década de danos aos direitos humanos", no qual diz que a prisão "não é apenas símbolo de abuso e de maus-tratos" mas também "de um atentado aos princípios internacionais" que prossegue até hoje.
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