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Ameaça

Inteligência do Reino Unido faz alerta para possível novo grande ataque terrorista

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Ken McCallum, diretor-geral do MI5, alertou que uma nova grande ameaça terrorista pode estar se formando fora do radar atual das agências de inteligência. (Foto: ANDY RAIN/EFE/EPA)

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O diretor-geral do serviço de inteligência interna do Reino Unido (MI5), Ken McCallum, alertou nesta sexta-feira (11) que uma nova ameaça capaz de provocar um grande impacto na segurança internacional pode já estar sendo desenvolvida fora do radar das autoridades. A declaração foi feita no dia em que os atentados terroristas de 11 de Setembro completam 25 anos.

McCallum afirmou que os serviços de inteligência não podem concentrar seus esforços apenas em impedir a repetição dos métodos usados em ataques anteriores, porque grupos terroristas e outros adversários também modificam suas estratégias para escapar da vigilância.

“A verdade desconfortável é que o próximo choque estratégico pode já estar tomando forma em algum lugar para o qual ainda não estamos olhando”, escreveu o chefe do MI5 em artigo publicado pelo jornal britânico The Independent.

O alerta não significa que o serviço britânico tenha identificado um novo atentado de grandes proporções em preparação. McCallum se referiu ao risco de as agências serem surpreendidas por ameaças que utilizem métodos, tecnologias ou alvos diferentes daqueles para os quais os sistemas atuais de segurança foram desenvolvidos.

Segundo o diretor do MI5, a Al-Qaeda perdeu grande parte da capacidade que possuía quando promoveu os ataques de 11 de Setembro, mas organizações terroristas continuam buscando meios de provocar um número elevado de mortes. Ele citou como exemplo um plano inspirado no Estado Islâmico que pretendia atacar a comunidade judaica da região de Manchester, no norte da Inglaterra.

O complô foi desarticulado pelas autoridades britânicas antes de ser executado. Segundo o Ministério Público britânico, os muçulmanos Walid Saadaoui e Amar Hussein planejavam utilizar rifles AK-47, pistolas e centenas de munições em um ataque contra uma marcha de combate ao antissemitismo no centro de Manchester e, posteriormente, contra uma região da cidade com forte presença judaica. Os investigadores afirmaram que o objetivo era matar centenas de pessoas. Os dois foram condenados à prisão perpétua neste ano.

O Reino Unido já mantém atualmente seu nível nacional de ameaça terrorista em “severo”, classificação que indica que um atentado é considerado “altamente provável”. O nível foi elevado em maio, após uma sequência de ameaças e investigações envolvendo o terrorismo islâmico. O MI5 afirma que o terrorismo islâmico continua representando a principal ameaça terrorista ao país.

McCallum também afirmou que o cenário enfrentado pela inteligência britânica hoje é mais complexo do que em 2001 porque a ameaça terrorista passou a coexistir com ações promovidas ou apoiadas por governos estrangeiros.

Entre os riscos citados pelo chefe do MI5 estão operações de sabotagem executadas por criminosos a serviço de outros países, tentativas de interferência política e ataques cibernéticos contra infraestruturas essenciais. Segundo ele, parte crescente dessas estruturas, como redes de comunicação e outros serviços estratégicos, está atualmente sob controle de empresas privadas, o que exige maior coordenação entre governo e setor privado.

O próprio MI5 vem alertando para o crescimento desse tipo de ameaça. Em julho, McCallum afirmou que governos estrangeiros têm recorrido cada vez mais a intermediários para promover sabotagens, incêndios e atos de violência dentro do Reino Unido.

Ao lembrar os 25 anos do 11 de Setembro, o diretor disse que uma das principais lições dos atentados é justamente a necessidade de preparar os sistemas de segurança para ameaças ainda desconhecidas, em vez de construir defesas apenas contra ataques semelhantes aos que já ocorreram.

Os atentados de 11 de setembro de 2001, realizados por terroristas da Al-Qaeda, deixaram quase 3 mil mortos depois que quatro aviões comerciais foram sequestrados nos Estados Unidos. Dois atingiram as torres do World Trade Center, em Nova York, outro atingiu o Pentágono e o quarto caiu na Pensilvânia após uma reação dos passageiros.

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