| Kazuhiro Nogi/AFP
| Foto: Kazuhiro Nogi/AFP

A agência meteorológica do Japão levantou na madrugada deste sábado (15) o alerta de tsunami declarado após o registro de um forte terremoto no sudoeste do país.

Um terremoto de 7.1 de magnitude, segundo a agência meteorológica japonesa e o Instituto de Geofísica americano (USGS), foi registrado às 01H25 (13H25 de sexta-feira no horário de Brasília), provocando um risco de tsunami na costa oeste de Kyushu, que logo foi levantado.

Na quinta-feira, um terremoto de 6,5 graus de magnitude atingiu a ilha e provocou nove mortes e 900 feridos, dos quais 50 gravemente.Desde então, mais de 100 réplicas foram registradas na região.

A rede de televisão NHK informou que o novo terremoto fez vários feridos e provocou o desabamento de uma ponte na localidade de Kumamoto.

As equipes de socorro seguiam buscando nesta sexta sobreviventes entre os escombros do tremor desta quinta.

“A casa tremeu”, contou à AFP Noboyuki Morita, um morador de 67 anos da cidade de Mashiki. “Estávamos assistindo à televisão quando de repente sentimos tremores muito fortes. Fiquei muito surpreso, nunca havia visto um tremor assim na minha vida”.

Morita e sua esposa passaram a noite em um carro porque não podiam voltar para casa, depois que o telhado desabou e os móveis saíram do lugar. O relógio ficou parado às 21h26 (09h26 de Brasília), o horário do primeiro tremor.

“Só pude sair da minha casa depois de cinco réplicas, foram tão fortes que ficava com medo de me mexer”, contou um vendedor à televisão. Em sua casa tudo estava de pernas para o ar, com as estantes, as mesas e diversos objetos jogados no chão.

No total, “foram sentidos 123 tremores secundários”, disse Gen Aoki, um sismologista da agência japonesa de meteorologia.

Dezenas de casas, muitas delas velhas e de madeira, ficaram total ou parcialmente destruídas. Cerca de 44 mil pessoas precisaram se refugiar em centros de acolhida, onde receberam arroz e água potável.

Uma menina de oito meses foi resgatada viva dos escombros, indicou a rede de televisão NHK.

O castelo da cidade, de 400 anos de antiguidade, também ficou danificado no telhado e nos muros.

Fábricas paradas

Vários grandes grupos japoneses, entre eles Toyota, Bridgestone, Honda e Sony, decidiram nesta sexta-feira suspender as operações nas fábricas da zona para fazer um balanço com os fornecedores e avaliar os danos.

Várias estradas ficaram danificadas, e os transportes se viram perturbados. Um trem de alta velocidade que não transportava passageiros descarrilou e o tráfego ferroviário precisou ser interrompido para que as vias fossem revisadas, como costuma ser feito toda vez em que ocorre um terremoto.

Além disso, ao menos 14 mil lares ficaram sem eletricidade, e também ocorreram cortes no fornecimento de gás e água.

A companhia que alimenta a região, Kyushu Electric Power, afirmou que não foi detectada nenhuma anomalia na central nuclear de Sendai, onde se encontram os dois únicos reatores em serviço no Japão.

As demais instalações nucleares da região, ou seja, as de Ehime e Genkai, não foram afetadas, segundo as companhias operadoras.

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