Membros da Guarda Nacional em pausa para almoço nos arredores do Capitólio dos EUA, em Washington, 19 de janeiro
Membros da Guarda Nacional em pausa para almoço nos arredores do Capitólio dos EUA, em Washington, 19 de janeiro| Foto: Olivier Douliery / AFP

Doze membros da Guarda Nacional dos Estados Unidos foram removidos do serviço na cerimônia de posse do presidente eleito Joe Biden, a ser realizada na quarta-feira (20) em Washington, em meio ao processo de segurança para, em parte, garantir que membros da força que atuarão no evento não tenham vínculos com grupos extremistas. A informação foi dada pelo Gabinete do Chefe da Guarda Nacional nesta terça-feira.

Dois dos membros foram relacionados a comentários e textos "inapropriados" e outros dez indivíduos foram removidos por comportamento questionável detectado durante a checagem de antecedentes, disse o general Daniel Hokanson à imprensa americana.

Integrantes do Departamento de Defesa dos EUA estão preocupados com a possibilidade de um ataque interno durante a posse de Joe Biden. Segundo as autoridades, teme-se que algum envolvido na proteção do evento possa comprometer a segurança da transmissão do cargo ao democrata, o que fez com que o FBI examinasse a ficha dos cerca de 25 mil homens da Guarda Nacional enviados a Washington para a cerimônia.

O enorme esforço reflete a preocupação com a segurança que tomou Washington após a invasão do Capitólio por extremistas. E ressalta o temor de que algumas das próprias pessoas designadas para proteger a cidade nos próximos dias possam representar uma ameaça para o novo presidente e outras autoridades presentes.

A precaução extra foi tomada depois que se descobriu que vários dos invasores do Capitólio tinham laços militares, levantando questões sobre o sentimento extremista dentro das Forças Armadas. Descobriu-se também que dezenas de pessoas que estão em uma lista de suspeitos de ligação com o terrorismo estavam em Washington no dia da invasão, que deixou cinco mortos.

O secretário do Exército, Ryan McCarthy, disse à Associated Press que os oficiais estão cientes da ameaça potencial e alertou os comandantes para estarem atentos a quaisquer problemas em suas fileiras. Em um comunicado, o Exército disse que está trabalhando com o serviço secreto para determinar quais militares na posse precisam de uma triagem adicional de antecedentes. Todos os militares passam por um programa anual que exige que relatem qualquer informação sobre comportamento extremista conhecido ou suspeito nas fileiras.

Segundo McCarthy, ele e outros líderes militares passaram por um exercício exaustivo de segurança, em preparação para o evento. Ele disse que os membros da Guarda Nacional também receberam treinamento sobre como identificar potenciais ameaças internas.

Cerca de 25 mil homens da Guarda Nacional estão sendo enviados para Washington, provenientes de todo o país - um número duas vezes e meia maior do que o contingente deslocado anteriormente. Em uma situação como esta, a verificação do FBI envolve a análise de nomes de pessoas em bancos de dados e listas de observação mantidas pela agência para ver se há algo alarmante. Isso pode incluir envolvimento em investigações anteriores ou preocupações relacionadas ao terrorismo, disse David Gomez, ex-supervisor de segurança nacional do FBI.

Ameaças internas têm sido uma prioridade da aplicação da lei nos anos após os ataques de 11 de setembro de 2001. Mas, na maioria dos casos, as ameaças vêm de insurgentes locais radicalizados pela Al-Qaeda, ou Estado Islâmico. Em contraste, mensagens contra a posse de Biden foram alimentadas por apoiadores de Trump, supremacistas brancos e outros grupos radicais.

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