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Para entender

Onde o nome de Moisés foi encontrado em inscrições de 4 mil anos?

Arqueólogo faz reinterpretação de textos bíblicos gravados há quase 4 mil anos em rochas. (Foto: Aaron Burden | Unsplash)

Uma reinterpretação de inscrições milenares nas minas de Serabit el-Khadim, no Egito, revelou o que pode ser a menção extra-bíblica mais antiga a Moisés. O estudo do pesquisador Michael S. Bar-Ron utiliza tecnologia 3D para analisar textos em proto-sinaítico gravados por volta de 1800 a.C.

Como o nome de Moisés foi identificado nessas rochas?

O pesquisador Michael S. Bar-Ron utilizou fotos de alta resolução e varreduras em 3D para analisar gravuras em uma antiga mina de turquesa no Sinai. Ele afirma ter identificado as expressões hebraicas 'zot mi'Moshe' (isto é de Moisés) e 'ne'um Moshe' (uma declaração de Moisés). Essas escritas usam o proto-sinaítico, um sistema muito antigo que é considerado o 'pai' do nosso alfabeto atual.

O que é o proto-sinaítico mencionado no estudo?

É um dos sistemas de escrita mais antigos do mundo. Imagine que, antes do alfabeto que usamos hoje, existiam formas de escrita que misturavam símbolos e sons. O proto-sinaítico foi criado por trabalhadores semitas que viviam sob o domínio egípcio há quase 4 mil anos. Ele é a ponte histórica entre os hieróglifos egípcios e os alfabetos modernos, sendo essencial para entender como a comunicação evoluiu.

Por que alguns arqueólogos pedem cautela com essa descoberta?

Existem dúvidas sobre a interpretação das letras e, principalmente, sobre a datação. As inscrições são de 1800 a.C., enquanto a tradição bíblica situa o Êxodo cerca de 600 anos depois. Além disso, 'Moisés' era um nome de origem egípcia comum na época. Especialistas alertam que, sem a revisão de outros cientistas (a chamada revisão por pares), a descoberta ainda deve ser vista como uma hipótese, e não como uma prova definitiva.

Existem outras provas históricas da presença de hebreus no Egito?

Sim. Embora não existam documentos egípcios que relatem a saída em massa descrita no Livro do Êxodo, a arqueologia confirma a presença de povos semitas (como os hebreus) na região do Delta do Nilo. Escavações revelaram comunidades com costumes e objetos culturais diferentes dos egípcios, o que reforça a ideia de que a narrativa bíblica possui um fundo histórico real, mesmo que os detalhes exatos ainda sejam debatidos.

Qual a importância de Serabit el-Khadim para a história antiga?

A região de Serabit el-Khadim, na Península do Sinai, era um centro de mineração de cobre e turquesa para o Império Egípcio. Mais do que uma mina, o local funcionava como um ponto de encontro de culturas. Foi ali que trabalhadores de diferentes origens deixaram marcas que ajudam a ciência a entender o nascimento do alfabeto e as práticas religiosas daqueles povos durante o reinado do faraó Amenemhat 3º.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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