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Painel mostra porcentagens dos votos por legenda nas eleições parlamentares russas
Painel mostra porcentagens dos votos por legenda nas eleições parlamentares russas| Foto: EFE/EPA/YURI KOCHETKOV

Em uma série de mensagens publicadas no Twitter, Alexei Navalny, líder da oposição ao presidente russo Vladimir Putin, acusou grandes empresas de tecnologia, as chamadas Big Techs, de ajudar o partido do Kremlin, a Rússia Unida, nas eleições para a Duma, a câmara baixa do parlamento da Rússia, realizadas entre sexta-feira passada (17) e domingo (19).

A legenda manteve a maioria das cadeiras na casa, com 324 dos 450 assentos, o que permitirá a Putin passar projetos na casa sem a necessidade de fazer acordos com a oposição, além de lhe garantir apoio para outra eleição presidencial, em 2024.

“Se algo me surpreendeu nessas eleições, não foi como Putin forjou os resultados, mas como obedientemente as todo-poderosas Big Techs se tornaram seus cúmplices”, escreveu Navalny nesta quinta-feira (23).

Ele apontou que a Apple e o Google “cumpriram exigências do Kremlin” e retiraram o aplicativo dos oposicionistas de suas lojas. Também relatou que o YouTube, que pertence ao Google, excluiu um vídeo e o Telegram bloqueou o bot (ferramenta que dava respostas automáticas com nomes de candidatos oposicionistas) do seu grupo. “Esses programas, que Putin chama de ‘extremistas’, continham apenas informações sobre candidatos da oposição”, criticou.

“Uma coisa é quando as monopolistas da internet são comandadas por nerds fofinhos amantes da liberdade com princípios de vida sólidos. É completamente diferente quando os responsáveis ​​por elas são covardes e gananciosos”, continuou Navalny. “Um dos desafios modernos é que os falsos profetas agora vêm até nós não em pele de cordeiro, mas vestindo moletons e jeans stretch. Na frente de telas enormes, eles nos falam sobre ‘fazer do mundo um lugar melhor’, mas por dentro são mentirosos e hipócritas.”

A respeito dos argumentos das empresas, de que o Kremlin teria feito pressão para retirada dos programas e conteúdos oposicionistas, inclusive com ameaças de prisão, Navalny argumentou que “manter silêncio sobre isso é o pior crime”. “Eu sei que a maioria das pessoas que trabalham no Google, na Apple e em outras empresas é formada por pessoas boas e honestas. Exorto-as a não tolerar a covardia de seus chefes”, afirmou.

Navalny foi preso em janeiro, assim que voltou à Rússia depois de passar por tratamento na Alemanha, devido a um envenenamento com um agente nervoso. A sua organização foi designada “organização extremista”, o que impediu os seus aliados de participar da eleição para a Duma.

Eleição novamente marcada por denúncias de fraude

Assim como eleições anteriores na Rússia, o pleito do último fim de semana foi marcado por denúncias de irregularidades. O grupo independente de monitoramento de eleições Golos apontou, entre outros problemas, que durante os três dias de votação recebeu 882 denúncias de obstrução do trabalho de observadores, membros de comissões e jornalistas, incluindo uso de violência e ameaças, e muitas falhas no sistema de votação online, como casos de eleitores que tiveram recusada a possibilidade de votar a distância, mas também não conseguiram votar presencialmente, e o relato de uma russa que mora em Israel que conseguiu votar duas vezes.

O Departamento de Estado americano e a União Europeia divulgaram notas criticando perseguições e restrições a opositores, imprensa e observadores do processo eleitoral.

A autoridade eleitoral de Moscou anunciou uma recontagem dos votos online na capital russa após a oposição apontar indícios de fraude – candidatos oposicionistas lideravam na votação presencial e sofreram uma virada quando os votos eletrônicos foram computados -, mas ressaltou que ela não terá validade “legal”. Em Moscou, a Rússia Unida conquistou todos os distritos.

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