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Em memorando, a secretária-adjunta de Defesa, Kathleen Hicks, alegou que os fenômenos aéreos não identificados representam risco para tripulações aéreas e geram preocupações quanto à segurança nacional
Em memorando, a secretária-adjunta de Defesa, Kathleen Hicks, alegou que os fenômenos aéreos não identificados representam risco para tripulações aéreas e geram preocupações quanto à segurança nacional| Foto: EFE/EPA/SARAH SILBIGER

O Pentágono criou nesta semana um novo escritório para rastrear e analisar fenômenos aéreos não identificados – nova nomenclatura para os objetos voadores não identificados (OVNIs) – no espaço aéreo de uso especial dos Estados Unidos, como é designado o espaço reservado a treinamentos e outras manobras militares.

A criação do Grupo de Identificação e Sincronização de Gerenciamento de Objetos Aerotransportados (Aoimsg, na sigla em inglês) foi informada em memorando assinado pela secretária-adjunta de Defesa, Kathleen Hicks, que alegou no documento que os OVNIs representam um risco potencial para tripulações aéreas e geram preocupações quanto à segurança nacional.

O novo grupo terá as atribuições de criar um sistema padrão para reportar ocorrências do tipo ao Departamento de Defesa, coletar e analisar dados operacionais, de inteligência e contrainteligência e elaborar abordagens para prevenir ou mitigar riscos representados por fenômenos aéreos não identificados, entre outras.

Em junho deste ano, o escritório do diretor da Inteligência Nacional dos Estados Unidos divulgou um relatório preliminar sobre esses fenômenos, que reuniu informações sobre OVNIs avistados por aviadores militares e que foram coletadas por sistemas considerados confiáveis pela Inteligência Nacional.

“Esses relatórios descrevem incidentes que ocorreram entre 2004 e 2021, com a maioria ocorrendo nos últimos dois anos, conforme o novo mecanismo de relatório se tornou melhor conhecido pela comunidade da aviação militar. Conseguimos identificar um fenômeno aéreo não identificado relatado com alta confiança. Nesse caso, identificamos o objeto como um balão grande e esvaziando. Os outros permanecem inexplicáveis”, apontou o relatório.

Ao todo, foram 144 relatos originados de fontes do governo americano, dos quais 80 envolveram observação com vários sensores. “A maioria dos relatos descreveu fenômenos aéreos não identificados como objetos que interromperam um treinamento previamente planejado ou outra atividade militar”, acrescentou a Inteligência Nacional.

O órgão enfatizou que os fenômenos aéreos não identificados representam perigo para a segurança de voo e podem configurar um risco mais amplo “se alguns casos representarem uma ação sofisticada contra atividades militares dos Estados Unidos por um governo estrangeiro ou demonstrarem uma tecnologia aeroespacial inovadora por um adversário em potencial”.

Tara Copp, setorista do Pentágono do site especializado em notícias sobre assuntos militares Defense One, destacou em artigo publicado após o anúncio da criação do novo grupo que o relatório de junho não prova nem refuta que tecnologia extraterrestre esteja por trás dos fenômenos aéreos não identificados descritos, em que objetos voadores manobraram de maneiras além das capacidades conhecidas dos Estados Unidos e dos seus rivais geopolíticos.

Ela ressaltou que a grande novidade é que o assunto está sendo trazido para os holofotes da estratégia de defesa americana, ao invés de ser tratado com o sigilo que sempre despertou folclore e teorias da conspiração – e num momento em que novas armas desenvolvidas por adversários fazem o chefe do Estado-Maior Conjunto americano, general Mark Milley, enxergar um “momento Sputnik”.

“A criação do escritório é importante; durante anos, relatos de pilotos da Aviação Naval foram desprezados ​​e aviadores relutaram em discutir esses encontros. Trazendo o escritório para o mainstream, onde irá se articular com a Inteligência Nacional e ter a contribuição de alto nível do Estado-Maior Conjunto, a sinalização é que, em meio a novas tecnologias sendo rapidamente implementadas pela China e Rússia, seja o que for que os pilotos estejam vendo por lá, o Pentágono deseja saber mais sobre isso”, afirmou Copp.

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