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Cúpula

Presidente chinês nega corrida armamentista

No terceiro dia de visita aos EUA, líder asiático afirma que Tibete e Taiwan “dizem respeito à soberania chinesa”

Hu Jintao, em Washignton: presidente chinês faz discurso apaziguador, mas pede respeito à soberania de seu país | Jim Young/Reuters
Hu Jintao, em Washignton: presidente chinês faz discurso apaziguador, mas pede respeito à soberania de seu país (Foto: Jim Young/Reuters)

Washington - Em um discurso apaziguador, o presidente chinês, Hu Jintao, disse ontem em Washington que a China não quer hegemonia nem expansionismo, não entrará em uma corrida armamentista e quer cooperar com os EUA pela estabilidade do Pacífico.

O discurso foi feito a uma plateia de empresários reunidos no Conselho de Negócios EUA-Chi­­na no terceiro dia da visita de Hu ao país.

Visou acalmar temores de que as ambições chinesas vão além de crescimento econômico – o que já provoca tensão – e ameaçam também o poderio mi­­litar americano em várias partes do globo.

"Devemos transformar o Pa­­cífico Asiático numa importante região onde a China e os EUA trabalham juntos na base do respeito mútuo’’, afirmou.

Hu disse que os EUA e a China são diferentes e é normal que tenham discordâncias e fricções, mas insistiu em que a China tem uma doutrina militar "defensiva". "Não vamos criar uma amea­­ça militar a nenhum país. A Chi­­na nunca vai buscar hegemonia ou investir em uma política ex­­pansionista."

Recepção

É cedo para interpretar o efeito da fala do líder chinês nos temores americanos, especialmente porque ele também manteve posições rígidas em pontos controversos. Em relação ao que con­­sidera sua integridade nacional, repetiu o recado aos EUA pa­­ra não interferirem em suas disputas, citando duas das mais po­­lêmicas.

"O Tibete e Taiwan dizem respeito à soberania chinesa e re­­presentam interesses centrais da China. Esperamos que os Es­­ta­­dos Unidos respeitem esses sentimentos’’, disse.

E as crescentes disputas territoriais chinesas com série de países, inclusive Japão, Filipinas e Vietnã, levaram a pedidos aos EUA de que aumente seu envolvimento militar e político na Ásia. Os gastos militares chineses são os segundos no mundo, só perdendo para os Estados Unidos. E crescem mais que sua economia há duas décadas.

Michael Swaine, analista do Carnegie Endowment for Inter­­national Peace, diz que há risco sério de Estados Unidos e China estarem se aproximando de uma rivalidade estratégica.

"Se a hostilidade cres­­cer, Wa­­shington e Pequim poderão co­­meçar a ver a situação na Ásia co­­mo de ‘soma zero’ e procurar for­­mas de conter um ao ou­­tro militarmente", afirmou.

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