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O ministro das Relações Exteriores da Síria, Faisal Mekdad, manifestou apoio a Putin durante evento em Moscou, mas não reconheceu formalmente Donetsk e Lugansk
O ministro das Relações Exteriores da Síria, Faisal Mekdad, manifestou apoio a Putin durante evento em Moscou, mas não reconheceu formalmente Donetsk e Lugansk| Foto: EFE/EPA/Ministério das Relações Exteriores da Rússia

O anúncio do presidente da Rússia, Vladimir Putin, de reconhecimento da independência das regiões de Donetsk e Lugansk, no leste da Ucrânia, foi severamente criticado por Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia, que anunciaram nesta terça-feira (22) sanções contra Moscou.

Entretanto, alguns governos estão anunciando apoio a Putin no reconhecimento das duas repúblicas autoproclamadas por separatistas pró-russos em 2014 na região de Donbass.

A Síria, cujo ditador, Bashar al-Assad, teve forte ajuda da Rússia na guerra civil contra rebeldes, destacou que apoia Putin, mas não reconheceu formalmente os dois territórios. “A Síria apoia a decisão do presidente Vladimir Putin de reconhecer as repúblicas de Lugansk e Donetsk”, declarou o ministro das Relações Exteriores da Síria, Faisal Mekdad, durante evento em Moscou.

“O que o Ocidente está fazendo contra a Rússia é semelhante ao que fez contra a Síria durante a guerra terrorista”, acrescentou.

A Abecásia e a Ossétia do Sul, outras duas repúblicas separatistas (localizadas na Geórgia) que são reconhecidas por Lugansk, Donetsk, Rússia e pouquíssimos outros países, também elogiaram a medida de Putin, mas com posições diferentes sobre o reconhecimento.

A Ossétia do Sul já reconhecia as duas repúblicas de Donbass desde 2014. “O reconhecimento de Donbass significa esperança de um futuro melhor para dezenas de milhões de pessoas”, disse o líder local, Anatoliy Bibilov, em declaração publicada pelo site Eurasianet. “O mesmo reconhecimento da Rússia preservou por 13 anos a paz e o território da Ossétia do Sul.”

Na Abecásia, onde o reconhecimento por Lugansk e Donetsk por ora não foi retribuído, o líder Aslan Bzhania divulgou comunicado elogiando a decisão de Putin.

“Temos certeza de que esta decisão permitirá o fortalecimento da arquitetura de segurança na região”, apontou Bzhania no documento. “Além disso, acreditamos que a decisão da Rússia de reconhecer as repúblicas de Donbass facilitará a formação de uma ordem mundial mais justa e equilibrada, onde os direitos dos pequenos estados sejam protegidos de forma confiável e a comunidade internacional ouça e respeite suas vozes.”

Belarus, cujo ditador, Alexander Lukashenko, foi apoiado por Putin na repressão a uma onda de protestos em 2020, foi na linha de endosso ao aliado, mas sem reconhecimento das duas repúblicas.

“Em tal situação, percebemos com respeito e compreensão a decisão do lado russo de reconhecer a independência das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk. A República de Belarus sempre defendeu de forma ativa e consistente uma solução pacífica para o conflito no leste da Ucrânia. Ainda consideramos os métodos diplomáticos uma prioridade e estamos prontos para contribuir para esse processo de todas as maneiras possíveis”, apontou o Ministério das Relações Exteriores bielorrusso em comunicado.

Maduro fala em “colonialismo” da Otan e dos Estados Unidos

Na América Latina, Nicarágua e Venezuela tiveram postura semelhante: apoiaram a atitude de Putin, mas sem entrar na questão do reconhecimento de Lugansk e Donetsk.

“O presidente Putin deu um passo hoje [segunda-feira], onde o que fez foi reconhecer algumas repúblicas que, desde o golpe de 2014, não reconheceram os governos golpistas [na Ucrânia] e estabeleceram seu governo e lutaram”, declarou o ditador nicaraguense, Daniel Ortega.

“No final, a Rússia deu este passo e é um passo que tomara que crie as condições para um entendimento lá, porque o que a Rússia pede é segurança e essa segurança pode ser alcançada com base em acordos que já existiam e que vinham sendo descumpridos pelos europeus e pelos Estados Unidos”, acrescentou.

No ano passado, Putin foi um dos poucos líderes de Estado que reconheceram a vitória de Ortega numa eleição presidencial marcada por prisão de opositores e ausência de observadores.

Na Venezuela, o número 2 da ditadura chavista, Diosdado Cabello, alegou que “a Rússia tem todo o direito de defender sua posição e território”.

“A Rússia faz manobras com Belarus e isso lhes dá taquicardia [nos Estados Unidos e aliados], porque estão habituados a fazer o que querem no mundo. Quando países como a Coreia [do Norte], entre outros, os enfrentam, [eles] recorrem a essas coisas, quem ataca as populações é a Ucrânia e [elas] fogem para a Rússia, mas o bandido é a Rússia. Os Estados Unidos agem assim”, disse Cabello, em entrevista à Unión Radio.

O ditador Nicolás Maduro apontou que a “Venezuela manifesta todo seu apoio à defesa da Rússia” e atacou o que chamou de “antigos complexos do colonialismo voraz representado pela Otan e pelo neocolonialismo do império americano”.

Em janeiro, diante da negativa do Ocidente de vetar a entrada da Ucrânia na Otan, o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Riabkov, sugeriu que a Rússia poderia levar mísseis ou infraestrutura militar para Venezuela e Cuba.

Nesta terça-feira, o ministério divulgou um comunicado em que pediu que outros países “sigam o exemplo” russo e reconheçam a independência de Donetsk e Lugansk.

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