Por 23 anos, Mike Penner foi repórter esportivo do jornal "Los Angeles Times". Nesta quinta-feira (26), ao sair de férias, ele escreveu um texto de despedida e avisou que vai voltar ao jornal numa nova encarnação. Ele agora vai se chamar Christine Daniels.
"Sou um repórter esportivo transexual", diz seu texto de despedida. "Levei mais de 40 anos, um milhão de lágrimas e centenas de horas de terapia para ter coragem de escrever estas palavras."
Como Penner, Christina escreveu sobre tênis, cobriu olimpíadas, foi ensaísta, crítico da mídia esportiva, colunista de futebol americano. Com seu novo nome, o foco vai continuar sendo nos esportes, e Penner diz que a mudança de sexo não vai mudar seu gosto por futebol. "Continuo amando futebol. Vou continuar assistindo a este esporte", diz.
O texto de despedida tem tom de alívio. Penner fala sobre o quanto sofreu na condição, que ele descreve como natural, de homem que teve o cérebro ligado como mulher desde antes mesmo o nascimento. "Transexualismo é uma ocorrência natural - pouco comum, sem dúvida, mas natural", diz.
Ele relata sua luta contra a condição, mas se diz muito feliz de finalmente poder ceder à derrota e aceitar. "Eventualmente se percebe que está lutando consigo mesmo, sua felicidade e saúde mental."
Penner conta também como seus colegas reagiram ao saber dos seus planos de mudar de sexo.
Confusão cinéfila
Num dos pontos altos do texto, ele relata que ao contar o caso a Tim, um dos amigos, comparou sua vida ao filme "Transamerica" (filme no qual um homem revela suas dificuldades de aceitação na sociedade por ser transexual). "Tim parecia mais perplexo que os outros. Ao final, se explicou: 'Pensei que você tinha dito Trainspostting. Achei que você ia me dizer que era viciado em heroína'."



