O vice-presidente da Assembleia Nacional, Edgar Zambrano (à esquerda), e o presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, em foto de 5 de janeiro de 2019| Foto: Federico PARRA / AFP

Edgar Zambrano, vice-presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, foi retirado da prisão na noite de quinta-feira (9) por agentes do regime do ditador Nicolás Maduro, e enviado para o presídio militar em Fuerte Tiuna, apesar de ser civil.

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Seus advogados e seu partido, o Ação Democrática, desconheciam o paradeiro do deputado entre a noite de quinta, quando Zambrano foi retirado do Helicoide, e a manhã desta sexta-feira, quando o Tribunal Supremo de Justiça, órgão chavista, o condenou à prisão preventiva.

Zambrano foi preso na quarta-feira (8), sob acusação de traição à pátria. Ele é aliado próximo de Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional que lidera um movimento de oposição para tentar remover Maduro do poder.

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Segundo Esther Benaim, uma de suas advogadas, a equipe de defesa do deputado recebeu a informação de que Zambrano foi retirado da prisão por agentes por volta das 23h de quinta-feira, e que seria levado para um tribunal em Caracas.

Mais cedo, advogados e partidários do Ação Democrática desconheciam o paradeiro do deputado. "Não sabemos, neste momento, onde se encontra o deputado Zambrano. Ontem, por volta de 23h, 23h30, tivemos conhecimento de fonte segura que ele havia sido levado, mas não sabemos, até agora, para onde. Fomos, com deputados e familiares próximos, até o circuito judicial da área metropolitana de Caracas, que estava fechado. Fomos também até o Sebin [Serviço Bolivariano de Inteligência], na praça Venezuela, e até este momento, não sabemos onde ele se encontra", disse Benaim, em entrevista a uma rádio local, no início da manhã de sexta (10).

Desde a prisão, nenhum advogado ou familiar teve acesso a Zambrano. Ele foi preso junto ao seu carro. Agentes do Sebin cercaram o veículo, e, como o deputado se recusou a sair do veículo, o automóvel foi guinchado pelos agentes com Zembrano dentro até o Helicoide, centro de detenção de presos políticos em Caracas.

Em redes sociais, os partidos Ação Democrática e Primeiro Justiça publicaram mensagens exigindo informações sobre o paradeiro de Zambrano e também pedidos por sua libertação imediata.

Reação internacional

Na quinta-feira (9), os EUA e a União Europeia (UE) exigiram a libertação de Zambrano.

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"A detenção arbitrária de Zambrano é ilegal e indesculpável. Maduro e seus cúmplices são responsáveis diretos pela segurança de Zambrano. Se não for liberado de imediato, haverá consequências", alertou a Embaixada dos EUA na Venezuela.

"A detenção (...) constitui outra flagrante violação da Constituição do país", denunciou a porta-voz de Relações Exteriores da UE, Maja Kocijancic. "É um ato que obedece a motivos políticos para silenciar a Assembleia Nacional."

O Grupo de Lima, que reúne Brasil e mais 13 países das Américas, condenou a prisão, que "representa um ato nulo e inconstitucional, uma vez que, de acordo com a Constituição venezuelana, o único órgão que pode retirar a imunidade parlamentar é a Assembleia Nacional".

O presidente Jair Bolsonaro classificou a detenção como "ilegal e arbitrária" em uma publicação nas redes sociais.